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19/04/2005 - 15h40
Escolha de Ratzinger é recebida com frieza na Alemanha

da BBC, em Londres

A TV alemã descreveu a eleição do cardeal Joseph Ratzinger para novo papa como "surpreendente", apesar de seu nome sempre ter figurado entre os favoritos.

A fé católica não é tão forte na Alemanha quanto na Polônia ou na Itália. Entre a população alemã, sua eleição imperar como uma mistura de surpresa, entusiasmo e preocupação.

Uma pesquisa recente, realizada pela conceituada revista semanal Der Spiegel revelou que 36% dos alemães se opunham a eleição de Ratzinger, contra 29% que os apoiavam.

Segundo a pesquisa, que ouviu mil pessoas entre 5 e 7 de abril, 17% afirmaram não ter preferência.

Temor

Ele que, por causa de suas posições altamente conservadoras, era conhecido como "a segunda mão direita de João Paulo 2º", agora se torna seu sucessor.

Filho de um policial, seus simpatizantes dizem que a experiência de adolescente na Alemanha nazista foi determinante para o fortalecimento de sua fé.

Ao saber da eleição de Ratzinger, o chanceler alemão Gerhard Schröder declarou que o acontecimento "é uma grande honra para a Alemanha".

"Creio que ele será um digno sucessor do papa João Paulo 2º."

"Eu o parabenizo em nome do governo e de todos os alemães."

Entretanto, muitos dentro da Igreja alemã gostariam de ver um pontífice mais liberal.

O país é dividido entre católicos no sul e uma maioria protestante no norte. Existe um forte movimento ecumênico entre católicos que temem que Ratzinger não apóie suas idéias.

Conforto x intelecto

Opiniões como a manifestada durante as eleições americanas, de que os candidatos que apoiassem o aborto não deveriam receber a comunhão, dividiram os alemães.

Antes de sua eleição, um dos mais importantes especialistas em assuntos religiosos do país, Wolfgang Cooper, havia declarado que, se Ratzinger fosse escolhido, "poderia aumentar a divisão entre a liderança da Igreja e os fiéis porque ele prefere discussões intelectuais, mas muitos católicos procuram padres e bispos que toquem seus corações, e ele é um cientista".

Durante o papado anterior, Ratzinger foi o responsável pelos dogmas teológicos dentro do Vaticano, desde 1981.

Outra de suas posições polêmicas foi declarar que a Turquia não deveria ser admitida na União Européia.

Como papa, Ratzinger deve proporcionar uma voz clara, embora radical, à Igreja.

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