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05/10/2005 - 19h00
Crescimento mundial depende de migração, diz ONU
da BBC, em Londres
Os movimentos migratórios são fundamentais para a expansão da economia mundial, diz um relatório divulgado nesta quarta-feira em Nova York pela Comissão Global da ONU sobre as Migrações Internacionais.
Segundo o documento, entregue ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, as migrações geram uma grande e desconhecida contribuição à economia global.
Nos países em desenvolvimento, as remessas feitas por migrantes vivendo no exterior somam perto de US$ 150 bilhões ao ano, o triplo dos recursos enviados pelas nações desenvolvidas a título de ajuda aos países pobres.
O relatório assinala ainda que certos setores econômicos em muitas nações industrializadas são tão dependentes do trabalho dos migrantes que rapidamente seriam arruinados caso aquela mão-de-obra fosse eliminada.
Para a comissão da ONU, as migrações deveriam se tornar parte das estratégias globais, regionais e nacionais para o crescimento econômico, tanto no mundo desenvolvido como nos países em desenvolvimento.
Remessas
Com a finalidade de proteger as economias dos imigrantes, o relatório condena a apropriação pelos governos das remessas de dinheiro dos migrantes a seus países de origem.
"Governos e instituições financeiras deveriam facilitar e baratear as transferências de remessas dos migrantes e estimulá-los a enviar dinheiro por meio de sistemas formais."
O documento recomenda ainda que governos e partes interessadas levem em conta a tendência de aumento nas migrações entre países e continentes nos próximos anos ao formular suas políticas migratórias.
De acordo com a comissão da ONU, o crescimento nas migrações será provocado pelas disparidades demográficas e de desenvolvimento entre os países.
"Os Estados e os setores envolvidos na questão deveriam perseguir enfoques mais realísticos e flexíveis sobre as migrações, baseados no reconhecimento do potencial dos trabalhadores migrantes para preencher vazios no mercado global de trabalho", diz o relatório.
A comissão pede, também, aos governos que redobrem seus esforços para combater o fenômeno do contrabando de migrantes e o tráfico humano.
Marginalização
A comissão da ONU ressalta ainda que um enfoque puramente restritivo sobre as migrações ilegais não é desejável, nem factível, e pode prejudicar os direitos dos migrantes e refugiados.
O documento reconhece o direito soberano dos países de defender suas fronteiras, evitar a entrada ilegal de migrantes e proteger a segurança e o bem-estar de seus cidadãos.
No entanto, chama a atenção dos governos para que assumam seus interesses e responsabilidades comuns no problema.
O relatório reconhece que algumas sociedades têm se amedrontado diante do crescimento da população de migrantes. "Tais temores têm sido exacerbados por políticos e pela mídia", afirma o documento.
O perigo dessa situação, alerta a comissão, é que ela tende a marginalizar os migrantes.
Brasileiros
Em um dos estudos regionais efetuados pela comissão, o relatório aponta que os Estados Unidos transformaram-se em um dos principais destinos para imigrantes legais e ilegais do Brasil, que vêm se estabelecendo em Estados como a Flórida, Massachusetts e Nova York.
O número de brasileiros nos EUA praticamente triplicou entre 1995, quando alcançava 82,5 mil imigrantes, e 2000, ano em que somavam 212,4 mil pessoas, de acordo com o relatório.
Em Portugal, os brasileiros compõem 11% dos 191 mil imigrantes legais, enquanto no Japão eles somam 250 mil imigrantes.
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