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24/10/2005 - 05h47
Apoio de Lula pode ter prejudicado campanha pelo 'sim', destaca 'Washington Post'
da BBC, em Londres
Apoio de Lula pode ter prejudicado 'sim', destaca 'Washington Post' A vitória do "não" no referendo sobre a proibição da venda de armas de fogo no Brasil é destaque nesta segunda-feira em vários jornais do mundo.
O The Washington Post lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou o "sim" e que, em setembro, o voto a favor da proibição da comercialização de armas de fogo parecia estar à frente das pesquisas.
Mas, segundo o jornal americano, os partidários da proibição afirmaram que o apoio de Lula ao "sim" pode ter, indiretamente, prejudicado a campanha, pois, segundo eles, partes do eleitorado podem ter votado pelo "não" em uma espécie de protesto contra o governo.
O The New York Times, por sua vez, afirma que as dúvidas sobre a eficiência e a honestidade da polícia também podem ter contribuído para a diminuição do apoio à proibição.
O jornal americano afirmou que, apesar do Congresso ter aprovado a legislação de controle de armas há dois anos e a taxa de homicídios ter caído em 8%, o governo não conseguiu implantar outras medidas para aumentar a segurança pública e conseguir mais apoio popular para a proibição.
Para o jornal espanhol El País a pergunta do referendo foi confusa, contando o caso de um eleitor do Rio de Janeiro que afirmava que iria votar no "não" porque queria "menos armas por aí".
Escândalo
O jornal americano The New York Times também lembra, no dia do aniversário de 60 anos da ONU (Organização das Nações Unidas), que nada abala mais a credibilidade da organização do que o escândalo do abuso sexual de mulheres e meninas por soldados das tropas de paz.
E, segundo o jornal, apesar das denúncias deste tipo de abuso no Congo terem sido feitas em 2004, nada ou pouco foi feito para por fim à cultura de impunidade e exploração que permitiu que tais atos ocorressem.
O jornal cita o relatório da organização Refugiados Internacional, um grupo de advogados, que visitou tropas de paz no Haiti e Libéria, e constatou que a atitude mudou pouco entre as tropas.
Varig e Kirchner
O jornal britânico Financial Times fala sobre o pacote de medidas para a Varig, que deve ser apresentado à Justiça de Nova York nesta segunda-feira pelo BNDES, a companhia aérea portuguesa TAP e o grupo americano Matlin-Patterson.
Segundo o FT o BNDES teria entrado no plano de resgate da Varig na semana passada, depois do presidente Lula ter dito aos ministros de seu gabinete que a companhia aérea não poderia falir.
No diário argentino Clarín, o colunista Eduardo van der Kooy comentou o resultado das eleições no país, dizendo que "(o presidente) Néstor Kirchner ganhou ontem duas batalhas políticas e perdeu uma".
Segundo o analista, o presidente da Argentina revalidou seu poder nacional, já que os candidatos ligados a ele conquistaram um apoio maior nas urnas do que Kirchner obteve nas eleições que o levaram à presidência, e enfraqueceu o domínio do ex-presidente Eduardo Duhalde em Buenos Aires como não se via desde a década de 90.
No entanto, o jornal diz que na capital do país o desempenho dos candidatos ligados ao presidente não foi suficiente para evitar que um adversário conseguisse três das treze cadeiras em jogo na região.
"A campanha e as eleições passaram. A Argentina ainda tem questões sociais (pobreza, desemprego), econômicas (inflação e investimentos) e internacionais (relações com o FMI) para resolver. Kirchner terá que fazer isso ao mesmo tempo em que está em formação, talvez, uma nova ordem política. É uma tarefa colossal que o espera", completa o colunista.
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