O governo de Israel anunciou nesta sexta-feira que recebeu as primeiras imagens em três anos que comprovariam que o soldado Gilad Shalit, capturado em 2006 pelo Hamas, está vivo.
Shalit foi visto no vídeo enviado pelo Hamas com uma aparência saudável, lendo em voz alta e segurando um jornal datado do dia 14 de setembro de 2009.
O israelense aparece em um local não identificado, uma parede branca ao fundo, sentado em uma cadeira e vestindo um uniforme. Ele estava com os cabelos cortados e barba feita.
O soldado, capturado em 2006 e agora com 23 anos, sorriu rapidamente algumas vezes enquanto falava com coerência durante o vídeo, que durou mais de dois minutos.
"Estou lendo o jornal para encontrar informações a meu respeito e esperando ler sobre minha libertação em breve", afirmou.
"Há um muito tempo tenho esperado e tenho esperança de voltar para casa."
Shalit afirmou que Israel não deve "desperdiçar" a chance de um acordo com os responsáveis por sua captura.
"Espero que este governo, liderado pelo (primeiro-ministro Benjamin) Netanyahu, não desperdice a oportunidade de se chegar a um acordo", disse.
'Fisicamente bem'
O soldado israelense também falou sobre um dia que passou com seu pai e sua irmã, quando uma fotografia dele foi tirada em um restaurante de um vilarejo árabe druso.
"Estou fisicamente bem", disse Shalit, acrescentando que os responsáveis por sua captura, que ele descreveu como sendo as Brigadas Mujahedin de al-Qassam "estão me tratando bem".
Em troca do vídeo, Israel libertou 18 prisioneiras na Cisjordânia e uma na Faixa de Gaza. Outra prisioneira será libertada no domingo.
As prisioneiras só foram soltas depois que autoridades viram vídeos e provas de que Shalit está vivo.
O primeiro-ministro Netanyahu descreveu Shalit como "a salvo e bem" depois de assistir ao vídeo, mas não deu pistas de que um acordo para a libertação estava prestes a ser fechado.
"O caminho para a libertação dele ser longo e difícil, mas saber que ele está a salvo e bem deve encorajar a todos nós", disse o premiê israelense.
Prisioneiras
Desde a captura de Shalit, em 2006, uma fita de áudio e três cartas foram divulgadas pelos sequestradores, a mais recente delas com data de 2008.
Após três anos de negociações com mediação do Egito, Shalit ainda não foi solto. Mediadores alemães participaram das negociações entre o Hamas e Israel em julho, também sem sucesso.
As prisioneiras soltas por Israel não são consideradas perigosas A maioria estava cumprindo o final de suas sentenças e foi presa por porte de facas ou armas e por tentativa de assassinato.
As prisioneiras foram recebidas com alegria por suas famílias na Cisjordânia e se reuniram também com o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas.
O grupo Hamas, que capturou Shalit, exige a libertação de mais de mil prisioneiros palestinos em troca do soldado.