O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse nesta terça-feira que a renúncia de um membro da comissão encarregada de apurar irregularidades nas eleições presidenciais de agosto coloca em dúvida o trabalho do órgão.
As declarações foram feitas um dia depois do afegão Mustafa Barakzai ter renunciado ao seu cargo na Comissão para Queixas Eleitorais, que tem o apoio da ONU, alegando que estrangeiros estavam "interferindo" com o trabalho do painel. Ele era um dos dois afegãos da comissão, formada por cinco pessoas.
"Não vou falar que a Comissão é ilegítima", afirmou Karzai, em uma entrevista ao canal americano de televisão ABC.
Mas o presidente afegão acrescentou que "aquela renúncia levantou dúvidas sérias sobre o funcionamento da comissão".
"(A comissão) deveria agora fazer de tudo para acabar com estas suspeitas e máculas e provar que é imparcial e justa e não é guiada por elementos estrangeiros", afirmou.
Um vice-gerente da campanha do principal candidato da oposição nas eleições, Abdullah Abdullah, afirmou que a renúncia de Barakzai teve motivações políticas e ligação direta com Karzai.
Irregularidades
Karzai admitiu que algumas irregularidades podem ter ocorrido, mas insistiu que as eleições no Afeganistão foram aceitáveis.
"Ocorreram irregularidades e também deve ter ocorrido fraude. Mas a eleição foi boa e justa e digna de elogio, não do desdém que a eleição recebeu da imprensa internacional, que me deixou infeliz e com raiva."
"Não devemos transformar uma eleição, uma vitória para o povo afegão, em um pesadelo para o povo afegão", acrescentou.
No domingo, a ONU afirmou que a recontagem de uma amostra de votos que estão sob suspeita já está quase encerrada. Cerca de 10% dos votos da eleição de agosto estão sendo verificados.
Hamid Karzai lidera os resultados preliminares com cerca de 55% dos votos, à frente de Abdullah Abdullah, que conseguiu cerca de 28% dos votos.
Se nenhum dos dois candidatos conseguir pelo menos 50% dos votos, será necessária a realização do segundo turno.
Também nesta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que uma decisão americana de ampliar o contingente militar no Afeganistão será divulgada "nas próximas semanas".
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