Autoridades venezuelanas fecharam a fronteira com a Colômbia no estado de Táchira, nesta segunda-feira, depois do assassinato de dois militares da Guarda Nacional da Venezuela em um município próximo à linha fronteiriça.
As mortes teriam ocorrido em um ponto de controle perto do município de Ureña, a poucos metros da linha que marca a fronteira entre a Venezuela e Colômbia. Depois do incidente, a presença militar venezuelana foi reforçada, segundo meios locais. As autoridades venezuelanas ainda não apresentaram uma versão oficial sobre o incidente.
TensãoA descoberta dos dois corpos contribui para o momento de tensão na relação entre os dois países. Na última semana, dois agentes do serviço de inteligência colombiano foram presos em território venezuelano acusados de espionagem - algo que a Colômbia nega.
No sábado, dez pessoas que haviam sido sequestradas foram encontradas mortas também no estado de Táchira. No domingo, o vice-presidente da Venezuela, Ramón Carrizalez, informou que oito dos corpos encontrados eram "paramilitares colombianos em treinamento" na Venezuela.
Os assassinatos fortaleceram ainda as especulações sobre a permeabilidade da fronteira e a presença de grupos armados no país - paramilitares ou guerrilheiros.
Segundo, Carrizalez, os homens sequestrados e posteriormente assassinados eram parte de um grupo "infiltrado paramilitar" na Venezuela, que planejava desestabilizar o governo socialista de Hugo Chávez.
"A ameaça está se materializando, mas também estamos nos preparando para defender nosso território, para garantir nossa soberania", afirmou Carrizalez.
Bases militaresA crise na fronteira colombo-venezuelana se soma à concretização do acordo militar entre Colômbia e Estados Unidos que permitirá às Forças Armadas norte-americanas utilizarem sete bases militares colombianas.
Os militares terão absoluta imunidade perante à Justiça colombiana, fator que provocou rejeição inclusive no Conselho de Estado colombiano, principal organismo jurídico do país, que qualificou de "desigual" o acordo firmado entre Bogotá e Washington.
O ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou, nesta segunda-feira, em uma coletiva de imprensa, que o acordo militar é "uma vergonha para a história do nosso continente".
Maduro disse que o governo e o partido governista propuseram medidas "para continuar a denunciar estes ares bélicos que o Pentágono alimenta, não sejam impostos à Colômbia a partir do governo de Bogotá e continuem ameaçando a estabilidade da região".
Tanto o governo de Bogotá como de Washington afirmam que o acordo se limitará ao território colombiano.
O governo brasileiro, que inicialmente manifestou "preocupação" com a assinatura do acordo, ainda aguarda que o governo de Álvaro Uribe revele o conteúdo do convênio militar.