O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta terça-feira, em Lisboa, que "está fora de questão reconhecer o governo de Porfírio "Pepe" Lobo, eleito presidente de Honduras no domingo.
"Não, não, não, não. Peremptoriamente não", afirmou o presidente, que está na capital portuguesa para a Cúpula Ibero-americana.
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Na segunda-feira, o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, chegou a indicar que a relação futura do governo brasileiro com o governo de Honduras poderia depender da postura de Lobo em relação à Organização dos Estados Americanos (OEA) e de dados confirmando o alto comparecimento dos eleitores hondurenhos às urnas.
Mas Lula evitou fazer a mesma afirmação: "Este cidadão (Lobo) tem o direito de fazer as gestões que achar que deve fazer. Se acontecer alguma coisa, vamos discutir a coisa nova. Por enquanto, a posição brasileira é de não aceitação do processo eleitoral em Honduras."
CompreensãoPorfírio "Pepe" Lobo foi eleito em meio a uma grave crise política em Honduras, gerada quando o então presidente, Manuel Zelaya, foi deposto por militares, em junho.
Na segunda-feira, Lobo afirmou que pedirá a chefes de Estado estrangeiros que "compreendam a realidade hondurenha e parem de punir o país" ao não reconhecer as eleições.
O presidente-eleito, que assume dia 27 de janeiro, disse pretender iniciar rapidamente um diálogo também com opositores internos, simpatizantes do presidente deposto, Manuel Zelaya, que já se recusaram a negociar.
Ainda na segunda-feira, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, disse que está aberto ao diálogo com Lobo, para construir a democracia no país.
Zelaya está desde setembro na embaixada brasileira em Tegucigalpa, e Lula disse, no domingo, que o Brasil não vai expulsá-lo.