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20/02/2008 - 13h57
Brasileiro é preso no Líbano por 'suspeita de terrorismo'

A polícia libanesa prendeu na semana passada o médico pediatra brasileiro Mohamad Kassen Omais, acusando-o de, supostamente, integrar uma lista de procurados por atividades terroristas.

Omais, que mora em Cuiabá (MT) com a mulher, Gisele do Couto Oliveira, foi preso no dia 15 de fevereiro logo depois que os dois desembarcaram em Beirute, vindos do Brasil.

O médico está detido há cinco dias sem que as autoridades libanesas permitam que ele seja visitado pela família ou por representantes do consulado brasileiro.

Oficiais da polícia libanesa disseram à BBC Brasil que Omais foi transferido a uma prisão do setor de inteligência das Forças de Segurança Interna (FSI) do Líbano em Beirute.

"Tudo que podemos dizer é que o caso dele é relativo a envolvimento com terrorismo e que seu nome consta em uma lista de procurados", disse um deles.

Surpresa
Omais e Gisele vieram ao Líbano buscar os três filhos, em férias desde dezembro com os avós na cidade de Qaraaoun, no Vale do Bekaa, leste do país. Era para ser apenas uma visita familiar, e a volta estava marcada para o dia 28.

No aeroporto, após a esposa passar pelo controle de imigração, autoridades libanesas anunciaram a prisão de Omais, que foi levado para interrogatório em seguida.

"A reação dele foi de choque", disse Gisele. "Eles me disseram que eu deveria ir embora, pois o caso dele demoraria."

Gisele disse que a acusação contra o marido não tem fundamento, já que Omais jamais esteve ligado a movimentos políticos, tanto no Brasil quanto no Líbano.

"Ele nasceu e viveu no Brasil, tem pouca ligação com o Líbano. Ele é mais turista aqui do que cidadão libanês", completou.

Segundo o advogado da família, Ayad Fares, o "Mohamad Kassen Omais" que consta na lista de procurados por atividades ligadas ao terrorismo é um homônimo do brasileiro.

"O que sabemos até agora é que a pessoa procurada pela polícia seria natural da cidade de Tiro, no sul do país. Eles inclusive compartilham o mesmo nome do pai, diferindo, apenas, no nome da mãe", disse Fares.
Gisele afirmou que, desde a prisão, Omais ligou duas vezes para a família e disse que estava sendo bem tratado.

Itamaraty
O cônsul do Brasil em Beirute, Michael Gepp, disse à BBC Brasil que tomou conhecimento da prisão na segunda-feira por meio de outro brasileiro, amigo da família de Omais. "Imediatamente entrei em contato com as autoridades libanesas para obter informações. Mas elas não estão permitindo nenhum contato com ele, nem mesmo a família ou seu advogado (podem se encontrar com o médico)", explicou.

Gepp disse que, caso o governo brasileiro não tenha acesso a Omais até quinta-feira, o consulado pode decidir tratar a prisão como um incidente diplomático. O cônsul não sabe informar a quais acusações Omais responde, nem se ele teve envolvimento em atividades ilegais.

"Não se trata de ele ser culpado ou não, isso fica a cargo das autoridades libanesas investigar. Mas, como cidadão brasileiro, ele tem direito a uma assistência do consulado. Precisamos nos certificar de que está sendo bem tratado e oferecer nossa ajuda à sua família", disse.


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