Os Estados Unidos disseram que o Irã precisa escolher entre a confrontação e a cooperação na crise em torno do seu programa nuclear, depois de uma reunião que pela primeira vez colocou na mesma mesa representantes dos governos americano e iraniano, mas terminou sem sucesso.
"Nós esperamos que o povo iraniano entenda que os seus líderes precisam fazer uma escolha entre cooperação, que traria benefícios a todos, ou confrontação, que apenas pode levar a um maior isolamento", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, em Washington.
Em uma decisão inédita, o governo americano enviou o subsecretário de Estado William Burns na expectativa de obter concessões na reunião, que tinha como objetivo obter uma resposta do Irã a uma proposta do Conselho de Segurança da ONU.
A proposta previa a concessão de benefícios econômicos ao país em troca da suspensão do seu programa de enriquecimento de urânio, mas o governo iraniano se recusou a interromper o seu programa nuclear.
O negociador-chefe do Irã, Saeed Jalili, disse que os incentivos ofereciam uma nova oportunidade nas negociações, mas que as divergências permaneciam.
Além de Burns, também participam do encontro o representante da União Européia para Política Externa, Javier Solana, além de autoridades da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, países-membros do Conselho permanente da ONU.
Os diplomatas deram um prazo de duas semanas para que o Irã dê uma resposta às suas demandas.
O Irã vem se recusando a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, apesar da pressão internacional.
Os Estados Unidos e outros países do Ocidente temem que o Irã, sigilosamente, tente desenvolver uma bomba nuclear, e por isso exigem o fim do programa iraniano.
No entanto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e é um direito do povo iraniano.
Os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a Revolução Iraniana em 1979 e a captura de reféns da embaixada americana em Teerã.
Em 2002, o governo Bush incluiu o Irã na lista de países do chamado "Eixo do mal", ao lado da Coréia do Norte e Iraque, e disse que não negociaria diretamente com o país, a menos que suspendesse seu programa nuclear.
A seis meses de deixar a presidência, o presidente Bush parece estar adotando uma política mais conciliatória.