Falta de resoluções em reunião do G7 acentua inquietações nos países desenvolvidos

Luis Felipe Alencastro

No último fim de semana, os ministro de finanças e os presidentes dos bancos centrais da União Europeia e dos países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) se reuniram em Marselha. A notícia teve pouca repercussão, e o comunicado final da reunião foi cheio de obviedades e sem nenhuma sugestão concreta, o que acentuou as inquietações sobre a crise nos países desenvolvidos.

Para muitos comentaristas, a queda generalizada das bolsas mundiais no começo desta semana responde, em boa parte, às frustrações geradas pelo encontro. A inconsequência da reunião de Marselha foi assinalada pelo “Le Monde”. Para Alain Faujas, comentarista financeiro do diário parisiense, o G7 mostrou sua inoperância nos tempos de crise, sublinhando “a indecisão dos governos ocidentais e as forças centrífugas agindo no interior da Europa”.  Assim, o último parágrafo do comunicado oficial da reunião de Marselha retrata, segundo Faujas, uma “confissão de impotência”. No texto, o G7 limita-se a declarar que vai trabalhar em conjunto com os outros países do G20 e com o FMI para “reforçar” o crescimento da economia mundial.

De imediato, as atenções estão focadas nos países mais frágeis da zona euro e no impasse que paralisa o governo alemão. Chefe de um governo de coalizão formado por três partidos de centro e de direita, Angela Merkel enfrentará uma votação difícil no Parlamento alemão para aprovar a expansão do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira  (FEEF), o FMI da zona euro. Decidida em julho pelos governantes da União Europeia, o aumento de 440 bilhões para 780 bilhões de euros da capacidade de empréstimo do FEEF, tem de ser votado pelo Parlamento alemão. Como a maior economia dos países da moeda única, a Alemanha deverá prover 211 bilhões de euros de garantia de crédito para o FEEF.

Na última semana a Corte Constitucional Federal, o mais alto tribunal do país, sediado em Karlsruhe, rejeitou três arguições de inconstitucionalidade do empréstimo ao FEEF. Mas determinou também que os pacotes de ajuda do FEEF aos países da zona euro devem ser aprovados, caso por caso, pelo Parlamento alemão. No final das contas, tal dispositivo tira parte da vantagem do FEEF para gerir a crise do euro. Paralelamente, prosseguem as discussões mais discretas sobre a criação de um Eurobond, um título público da zona euro, bancado pelos 17 países que possuem a moeda única.

Obviamente, o Eurobond aumentaria um pouco os custos dos empréstimos da Alemanha, mas diminuiria os juros dos empréstimos da Grécia, da Irlanda, da Espanha e da Itália. No médio prazo, o euro se tornaria uma moeda mais estável, com ganhos para todos os países que utilizam a moeda única. Efetivamente, a Alemanha também seria bastante favorecida com a criação do Eurobond, porquanto o país realiza regularmente a maior parte de seu superavit comercial  no interior da zona euro. Assim, em 2010, a Alemanha obteve na zona euro 55% do excedente de sua balança comercial.

No entanto, antes mesmo de ser oficialmente cogitado pela União Europeia, o Eurobond já parece confirmar os temores dos que se opõem à sua criação. Como apontou um artigo recente da revista semanal alemã “Spiegel”, a eventual instauração do novo título da zona euro já está tendo um efeito negativo, na medida em que a Grécia e a Itália, esperando obter empréstimos mais baratos no quadro do Eurobond, reduzem as medidas de austeridade orçamentária determinadas pelos acordos do FEEF. 



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