Luiz Felipe de Alencastro
O custo da falta de educação para os trabalhadores nos Estados Unidos
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Kevin Lamarque/Reuters
Trabalhadores com diploma universitário ganharam empregos na fase de recessão e na retomada econômica, aponta estudo
Há obviedades que sempre convém relembrar. Uma delas decorre de um estudo que acabou de ser publicado pela Georgetown University (universidade dirigida pelos jesuítas em Washigton, D.C.): quem tem mais diplomas tem mais chance de conseguir ou de se manter nos melhores empregos. O estudo é particularmente importante porque é o primeiro a analisar os efeitos da chamada Grande Recessão (a crise econômica que começou em 2008 e se prolonga até agora, embora de maneira mais atenuada) no mercado de trabalho americano.
Analisando os quatro últimos anos, constata-se que a categoria de trabalhadores que possui graduação universitária de quatro anos ou mais (com o diploma de Bachelor ou com um título mais alto) ganhou 187.000 empregos durante a fase de recessão (dezembro de 2008 a janeiro de 2010) e 2.000.000 de empregos na retomada econômica (fevereiro 2010 a fevereiro de 2012).
A categoria que possui só dois anos de educação universitária (um associate degree) perdeu 1,75 milhão de empregos na recessão e ganhou 1,6 milhão de postos de trabalho na retomada dos últimos dois anos. Por último, como grandes perdedores, aparecem os que só dispõem do diploma de ensino médio (High School). Estes perderam 5,6 milhões de empregos durante a recessão de 2008 a 2010 e continuaram perdendo 230.000 postos de trabalho na fase de retomada do emprego que se iniciou em fevereiro de 2010 e se prolonga até agora.
É claro que a crise continua gerando efeitos perversos (ver os quadros completos da pesquisa no site do Washington Post). Os empregos atuais são de pior qualidade. Muitos diplomados aceitam empregos de menor qualificação e menor salário porque temem ficar desempregados. Também aparece que as mulheres pagam um preço mais alto do que os homens, recuperando menos empregos na retomada do mercado de trabalho. Mesmo assim, as mulheres diplomadas se saem melhor do que as que possuem menos qualificações escolares ou universitárias.
No final da fila, vêm os homens que possuem menor nível educacional. Assim, os trabalhadores que têm apenas o diploma de ensino médio, ganhavam em 2009 metade do salário que obtinham 40 anos antes, em 1969.
Um outro estudo, publicado pelo semanário U.S. News & World Report dá ênfase às novas tecnologias de ensino à distância e às teleconferências. Segundo os autores do estudo, as universidades americanas não estão equipadas para treinar e retreinar os desempregados que estão em busca de melhores qualificações.
Aparentemente, nenhum dos estudos abordou (ou divulgou) dados referentes aos trabalhadores menos qualificados, que nem possuem o diploma de ensino médio, como é o caso de muitos imigrantes estrangeiros legalizados nos Estados Unidos, oriundos da América Latina, da Ásia ou da África. Não se menciona também o caso dos imigrantes ilegais, onde se enquadram, entre outros, dezenas de milhares de brasileiros. Explorado e constantemente sob ameaça de prisão e expulsão do país, este é o contingente que mais sofre, quando a economia vai bem, e mais ainda, quando há uma crise prolongada como atualmente.
Luiz Felipe de Alencastro
Cientista político e historiador, professor titular da Universidade de Paris-Sorbonne, na França, e professor convidado na FGV-Escola de Economia de São Paulo.






