Coluna do Richard Branson
Fazer o bem é bom para os negócios
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Michael Probst/AP
Prática do bem nas áreas social e ambiental poderá tornar-se a força impulsora do capitalismo
Essa é umas das premissas básicas do Capitalismo 24902: nós precisamos adotar uma nova abordagem; a prática do bem nas áreas social e ambiental poderá tornar-se a força impulsora do capitalismo. E uma nova e empolgante geração de empreendedores está reinventando a forma como nós pensamos sobre setores industriais inteiros. Um desses líderes é Jeff Skoll, que está virando a indústria cinematográfica de ponta cabeça ao utilizar o cinema para promover mudanças.
Quando Jeff, que atualmente tem 47 anos de idade, era criança, ele morava em Toronto e, naquela época, ele sempre quis contar histórias capazes de atrair o interesse das pessoas para questões importantes e motivá-las a agir. Ele decidiu tornar-se primeiro financialmente independente e, quando frequentava a escola de administração da Universidade Stanford, ele tornou-se amigo de Pierre Omidyar. Pouco após Jeff ter se formado, em 1995, Pierre apresentou a ele uma ideia para a criação de um website de interação pessoal com formato de leilão. A companhia tornou-se a eBay, e Jeff foi o primeiro presidente dela.
A situação financeira de Jeff mudou rapidamente. De um simples estudante que morava em uma república com cinco outros jovens, ele passou a ser o gerente da sua fortuna inesperada e que crescia sem parar. Ele começou a pensar sobre como compartilhar essa dádiva com o mundo. Jeff conversou com John Gardner, o arquiteto dos programas da Great Society do presidente norte-americano Lyndon B. Johnson na década de sessenta, e perguntou a ele: “O que eu vou fazer com todo este dinheiro?”. John respondeu: “Aposte em pessoas boas que fazem coisas boas”.
Em resposta, Jeff criou a Fundação Skoll, uma das principais instituições de apoio a empreendedores sociais do mundo. Muitos dos indivíduos que a fundação ajudou acabaram tendo um grande impacto positivo: pessoas como Matthew e Jessica Flannery, os fundadores da Kiva, que ajuda pequenos financiadores a doar para instituições de microfinanciamento, e desse forma, para empresários de todo o mundo.
No início da década passada, Jeff começou a pensar nos filmes que o inspiraram quando ele era criança e adolescente: “Filmes como 'Gandhi' e 'A Lista de Schindler'”. Durante visitas regulares a Los Angeles, ele descobriu que não havia companhias de produção focadas no interesse público – os estúdios de Hollywood estavam investindo o seu dinheiro em filmes de ação, histórias de super-heróis e continuações de filmes de sucesso. Os grandes estúdios só desejavam filmes de entretenimento por acreditarem que isso era tudo no qual as plateias estavam interessadas. Eles simplesmente achavam que más notícias não geram sucessos de bilheteria.
Jeff criou a Participant Media em 2004 e, no ano seguinte, a companhia lançou a sua primeira série de filmes: “North Country” (“Terra Fria”), “Syriana” (“Syriana – A indústria do Petróleo”), “Murderball” (“Murderball - Paixão e Glória”) e “Good Night, and Good Luck” (“Boa Noite e Boa Sorte”). Coletivamente, esses filmes receberam dez nomeações para a Academia e um Oscar. Cada filme contava com um programa de defesa de direitos humanos e ativismo à sua volta, de maneira que as pessoas pudessem aprender mais e discutir as suas preocupações por meio da rede de ação social online da Participant Media. “North Country”, estrelando Charlize Theron, por exemplo, ajudou a influenciar o renascimento bem sucedido da Lei de Combate à Violência contra as Mulheres nos Estados Unidos. Como resultado da campanha de ação social da Participant Media para o filme “The Cove” (“The Cove – A Baía da Vergonha”), sobre o massacre em massa de golfinhos no Japão, houve uma redução e, em certos momentos, até mesmo o fim da caça a golfinhos naquele país.
A Participant Media também distribuiu ou financiou e produziu integralmente vários outros filmes como “An Inconvenient Truth” (“Uma Verdade Inconveniente”), “Charlie Wilson's War” (“Jogos do Poder”) , “Countdown to Zero” e “Waiting for Superman”. Todos esses filmes procuraram encorajar as pessoas a fazer o bem e a promover mudanças, e Jeff criou uma organização chamada TakePart que ajuda as pessoas a tomar ações.
Todas as organizações que Jeff Skoll criou têm uma visão comum quanto à vida em um mundo sustentável de paz e prosperidade, e ao trabalho conjunto para se alcançar essa meta. Por exemplo, o Fundo Skoll para Ameaças Globais – uma fundação que ele criou em 2009 para fazer frente a problemas importantes como a mudança climática e a proliferação de armas nucleares – atuou como consultor para o filme “Contagion” (“Contágio”), sobre uma pandemia, que a Participant Media fez junto com a Warner Bros. A Participant Media quase sempre inclui empreendedores sociais da Fundação Skoll nas campanhas de ação social vinculadas aos seus filmes, enquanto que o Grupo de Investimento Capricórnio, que Jeff também fundou, investe em companhias que possuem uma missão ambiental e social.
O local em que o grupo decide concentrar os seus esforços depende de vários fatores como a amplitude da questão em pauta, o momento, a relevância da organização ou do projeto que lida com a questão e, às vezes, simplesmente a oportunidade e o empreendedorismo envolvidos.
Eu disse certa vez a Jeff que ele baseou todo o modelo empresarial da Participant Media no ato de dizer verdades inconvenientes. Jeff – um sujeito bonito e tímido – disse que esperava que isso fosse verdade. Ele não estava procurando ganhar dinheiro quando criou a sua companhia de cinema, já que prezava a mensagem que estava transmitindo sobre o lucro. O que ele não previu foi que os seus filmes gerariam lucros pelo simples fato de ele e a sua equipe terem feito a coisa certa.
Richard Branson
O megaempresário inglês é criador do grupo Virgin, que tem 200 companhias em mais de 30 países, incluindo a empresa aérea de baixo custo de mesmo nome
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