04/03/2006 - 22h45 Desfile das campeãs é oportunidade para ver as escolas sem empurra-empurra nos camarotes
MARIA ESTER RABELLO Especial para o UOL, do Rio
Quem pensa que o desfile das escolas de samba campeãs no Sambódromo tem gosto de quaresma está enganado. A animação é a mesma, só que "mais light", como define um fotógrafo acostumado a cobrir os camarotes da Sapucaí.
Às 21h, quando a Unidos da Tijuca, que ficou em sexto lugar, entrou na avenida, o camarote da Brahma, que a essa hora num dia de desfile competitivo já estaria cheio, ainda tinha arquibancadas vazias nas varandas. Pra quem não veio é a oportunidade de assistir as escolas campeãs sem o empurra-empurra nas janelas, que acontece mesmo nos camarotes VIPs.
A ex-vedete Dercy Gonçalves, por exemplo, esperava o começo do desfile tranquilamente sentada numa cadeira. De unhas pintadas de verde brilhante, brincos enormes e blusa bordada, Dercy, que tem 99 anos, falava com sua alegria habitual: "é a coisa mais importante que acontece no Brasil. Esse amor, essa energia". A atriz, que já desfilou 3 vezes, uma delas homenageada no enredo da Viradouro, diz que sempre foi foliona, "mas não brincava Carnaval porque precisava trabalhar e depois não podia me arriscar a esse mundo perigoso, de prostituição e etc...", lembra Dercy se referindo à época em que era jovem. "Mas domingo saio no Bloco Galinha do Meio-dia", diz animada.
Joana Fomm, atriz global que está no elenco da novela das sete, "Bang Bang", foi outra que veio só no desfile das campeãs. Conseguiu um lugar na janela do camarote junto com o colega Paulo Betti; "estou numa novela que grava todo dia, hoje teve folga e aproveitei pra vir pra cá", disse Joana.
O poeta Geraldo Carneiro esteve no domingo (26) no camarote da Brahma "para ver a Mangueira" e repetiu a dose no desfile das campeãs para assitir "a Paulo Barros - o coreógrafo da Unidos da Tijuca-, que a meu ver deveria sair daqui direto para o Museu de Arte Moderna", elogia o poeta e roteirista que já escreveu muito sobre Carnaval em prosa e verso.
Outra que é habituê dos camarotes é a cantora Beth Carvalho, que hoje (sábado depois do carnaval) estava com o mesmo vestido verde e o arranjo de flores rosa, que homenageiam a escola do coração, Mangueira. Sobre a escola vencedora ela diz: "adorei que a Vila ganhou. Gosto do enredo sobre a latinidade, adoro Hugo Chavez" (presidente da Venezuela, cuja estatal do petróleo financiou a escola vencedora). Quanto ao samba-enredo da Vila, a cantora diz: "funcionou".
Enquanto a primeira escola desfila na Sapucaí, os fotógrafos esperam pacientemente pelos ônibus que trazem os convidados do camarote da Brahma. Os poucos "famosos" que aparecem cedo no Sambódromo são cercados pelos jornalista e cinegrafistas. Cristiana Oliveira, que não veio no Carnaval porque estava "em retiro em Natal" era um desses focos de atenção.
"O desfile das campeãs é quando nada e tudo acontece", diz a jornalista Luciana Costa Barreto, de uma agência de comunicação. "No ano passado, vieram Ivete Sangalo, Xuxa e Will Smith (ator americano)", diz, enquanto espera "o pessoal que vem de Salvador".
Mas não são só os fotógrafos que querem ver "celebridades". "Não é ela, não é ela", falava o professor Ricardo Fernandes Dias enquanto fotografava uma das destaques de um carro da Unidos da Tijuca pensando que era a cantora Wanessa Camargo. Ele e o amigo vieram de Minas só para o desfile das campeãs. "Estou realizando um sonho", disse o professor mineiro.