18/02/2007 - 05h53
Erasto Vasconcelos faz show com clima de nostalgia no Rec-Beat
Colaboração para o UOL, em Recife
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Vládia Lima / Divulgação
Erasto Vasconcelos, durante seu show na primeira noite do festival Recbeat
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Erasto Vasconcelos evocou a animação do público com um show memorável, baseado em canções românticas, nostálgicas e alegres na noite deste sábado no Rec-Beat 2007. Arranjos bem construídos pela banda, somados aos 40 anos de carreira do cantor e compositor, resultaram num espetáculo de música popular poético e emocionante, intitulado "O Jornal da Palmeira".
A primeira música foi o "Baile da Betinha", dedicada a uma amiga de infância de Erasto. Romântica - e ideal para dançar agarradinho - a canção conta a história de um rapaz que se arruma para ir ao baile, "com paletó de linho" e que "dança até tango", se for preciso, com a amada ou pretendente. A banda pernambucana Eddie costuma interpretar esta música em seus shows, desde o lançamento do seu último CD.
Depois foi a vez de "Mauricéia", seguida de "Bloco da Rosa", um novo frevo de bloco com a letra singela, doce e terna. Um dos versos diz "que mania eu tenho de amor". Antes de apresentar a canção, Erasto a dedicou para todos os frevos da cidade, ritmo que completou cem anos no dia 9.
O show continuou com "Adivinhação", um frevo arrasta-pé, seguida de um forró com direito a pífano, o "Forró Oxente". O público dançava animado. Na seqüência Erasto cantou "Recife" e brincou no meio da música: "uma cidade pequena, porém decente".
A sétima canção foi "Itamaracá" e, a oitava, "Maranguape", um dos grandes sucessos de Erasto (que também vem sendo divulgada pela banda Eddie desde o CD "Original Olinda Style"). A música versa sobre situações corriqueiras do bairro onde mora o compositor. Aliás, uma das características de Vasconcelos é sua capacidade criativa de fazer música sobre histórias do cotidiano.
A penúltima canção foi "Boi Aroeira" e, para fechar, outro hit: "O Guia de Olinda", também cantada pelo Eddie. A música faz um roteiro pelas principais ruas da cidade durante o Carnaval, com o refrão "afoxé, afoxé: Olinda mandou me chamar".
Elegante, Erasto usava uma boina preta e uma camisa de cetim branca. Dançou como um caranguejo e foi bastante aplaudido pelo público. Marcado para as 20h30, o show começou às 22h e durou cerca de 50 minutos.
Influências
Após a apresentação, Erasto disse que sua maior influência é a MPB, "de todas as formas possíveis". A maior delas, segundo o compositor, foi o seu pai, que era músico: "copista, arranjador e ainda tocava cavaquinho". O cantor também é irmão do consagrado percussionista Naná Vasconcelos.
O grupo ainda não tem turnês marcadas pelo Brasil este ano, embora dez músicas de Erasto tenham sido editadas na Europa no ano passado. "Espero uma oportunidade de poder divulgar minha música pelo Brasil. Digo isso com simplicidade e sinceridade". Gabriela Belém