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19/02/2007 - 04h09

Entre retrô e futurista, Mocidade apresenta samba contagiante na Sapucaí

Da Redação

Publius Vergilius/ UOL

Janaína Barbosa, rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel

Janaína Barbosa, rainha de bateria da Unidos de Vila Isabel

Referências ao cinema expressionista alemão da década de 20 abriram o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola conhecida por buscar sempre detalhes que expressem a modernidade em seus desfiles. O filme era "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, e a oposição passado-futuro aparecia desde o título do samba-enredo, chamado "O Futuro no Pretérito - Uma História Feita a Mão".

"Metrópolis" retratava um futuro sombrio, dominado pelas máquinas; foi uma espécie de "Matrix" do seu tempo. A luta homem X robô da Mocidade aconteceu desde o abre-alas -quando, aliás, um componente do carro precisou ser retirado pelos bombeiros-, na alegoria em que um homem fantasiado de Adão se encaixava em um livro gigante -o Gênesis da Bíblia- com engrenagens em sua traseira. A ala "Nós, Robôs" fazia referência ao livro "Eu, Robô", de Isaac Asimov (transformado em filme protagonizado por Will Smith).

Nos carros e alas seguintes, a escola homenageava Estados ou regiões brasileiros e suas manifestações artísticas populares, como o artesanato marajoara, mostrado principalmente na alegoria das cerâmicas tradicionais indígenas, e as obras de Mestre Vitalino e a renda de bilro representando o Nordeste.

O sexto carro, "Caminhos da Fé", retratava as cerimônias religiosas e o estilo barroco de Minas Gerais. Por fim, costureiras, aderecistas e artesãos da própria escola desfilaram em um carro que homenageava os artistas que fazem o dia-a-dia do Carnaval, encerrando a passagem pela Sapucaí.
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