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19/02/2007 - 06h53

Sapucaí se empolga com Viradouro e Beth Carvalho é vetada na Mangueira

Da Redação

Publius Vergilius/ UOL

Simone, primeira porta-bandeira da Viradouro, em seu traje de roleta

Simone, primeira porta-bandeira da Viradouro, em seu traje de roleta

Os gritos de "é campeã" para a Viradouro, ao final da passagem da escola pela Sapucaí; os carros alegóricos e o samba contagiante da Mocidade Independente de Padre Miguel; e o veto à entrada da veterana sambista Beth Carvalho em um carro alegórico foram os momentos mais marcantes da primeira noite do Carnaval do Grupo Especial no Rio de Janeiro.

A ousadia bem-sucedida da Viradouro cativou a platéia do Sambódromo, que não só cantava o samba-enredo, mas também gritava exaltada. A escola de Niterói colocou a bateria em um carro alegórico de 40 metros, fez com que os integrantes descessem para o recuo e os substituiu com uma bateria "postiça" que tinha inclusive réplicas de instrumentos. Sob o tema dos jogos de sorte e de azar, do lazer e da diversão, e com a atriz Juliana Paes reinando com exuberância sobre a bateria, a Viradouro despontou como uma das preferidas.

Desde que a comissão de frente da Mangueira, coreografada pelo dançarino Carlinhos de Jesus, entrou na Sapucaí até a entrada do último carro, o público não deixou de saudar a verde-e-rosa. A escola, todavia, enfrentou tensão durante toda sua passagem pela Sapucaí. Erros de posicionamento, alegoria danificada e atraso na dispersão do abre-alas somaram-se à ausência do tradicional intérprete Jamelão, por problemas de saúde. Mas o grande choque foi quando Beth Carvalho surgiu dizendo-se barrada. A cantora, que já gravou dezenas de sambas da Mangueira, alega ter pedido para sair em um carro, e não no chão, por problemas de coluna. Quando se dirigia ao veículo onde imaginava que desfilaria, Beth foi impedida de subir por um membro da diretoria. Abalada, a cantora deixou a Sapucaí sob aplausos do público.

A Mocidade Independente, que cantou "O Futuro no Pretérito - Uma História Feita a Mão", entrou na pista exaltando o poder criativo do artesão, a quem comparava a Deus-Criador. Referências ao filme alemão "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang, abriram o desfile. A luta "homem X robô" aconteceu desde o abre-alas, na alegoria em que um homem fantasiado de Adão se encaixava em um livro gigante -o Gênesis da Bíblia- com engrenagens na traseira. Manifestações artísticas populares, como o artesanato marajoara ou o barroco mineiro, eram valorizadas em alas inteiras.

Assim que o puxador da Estácio de Sá Anderson Paes deu início ao samba-enredo "O Tititi do Sapoti" a arquibancada da Marquês de Sapucaí levantou e o acompanhou. Paes teve a difícil incumbência de interpretar o clássico de 1987, famoso na voz de Dominguinhos do Estácio. Após 20 anos, a história do sapoti volta ao Sambódromo para tentar manter a agremiação no Grupo Especial. Com 300 integrantes a mais que no ano passado, quando ainda desfilava no Grupo de Acesso, a agremiação mostrou a história da fruta utilizada como matéria-prima para fazer a goma de mascar.

A Império Serrano levou para a Sapucaí o enredo "Ser diferente é normal - o Império Serrano Faz a Diferença no Carnaval", de autoria de nomes do samba como Arlindo Cruz, Maurição, Aluísio Machado, Carlos Senna e João Bosco. Além de homenagear a própria escola, pioneira em fantasiar a comissão de frente e adicionar novos elementos à bateria, o carnavalesco Jack Vasconcelos quis apresentar personalidades que deixaram um legado à humanidade. Uma ala composta por deficientes visuais encerrou a passagem da Império Serrano. O grupo trazia Joana Mocarzel, a Clara da novela "Páginas da Vida", além de cadeirantes, portadores de deficiência auditiva, visual e portadores de síndrome de Down. A atriz Quitéria Chagas brilhou como rainha de bateria da escola e gravou cenas para sua personagem Dorinha da novela de Manoel Carlos.

Unidos da Vila Isabel, atual campeã do Grupo Especial, foi a última a desfilar nesta primeira noite. A estréia do carnavalesco Cid Carvalho, que trabalhou durante nove anos na Beija-Flor, teve um samba-enredo de referências sofisticadas. Carvalho e o co-autor do tema, o historiador Alex Varela, pesquisaram temas históricos e científicos que acabaram por unir na avenida o naturalista inglês Charles Darwin, o gênio italiano Leonardo da Vinci e o Super-Homem (aquele mesmo, Clark Kent). Foi uma estréia também para a bailarina e atriz Ana Botafogo, coreógrafa da comissão de frente. O samba-enredo "Metamorfoses: do Reino Natural à Corte Popular do Carnaval - As Transformações da Vida" fez a Vila Isabel investir muito em luzes e portas giratórias para obter o efeito desejado de constante transformação.
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