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20/02/2007 - 11h22

Mocidade Alegre é campeã do Carnaval de São Paulo

da Redação

Alexandre Schneider/UOL

Nani Moreira, rainha da bateria da Mocidade Alegre

Nani Moreira, rainha da bateria da Mocidade Alegre

A escola de samba Mocidade Alegre foi a vencedora do Carnaval 2007 em São Paulo com 298.50 pontos. Em segundo lugar ficou a Unidos de Vila Maria e em terceiro a Vai-Vai.

Com uma diferença de 0,75 ponto em relação à segunda colocada, a Mocidade Alegre desfilou o samba-enredo "Posso ser Inocente, Debochado e Irreverente... Afinal, Sou o Riso Dessa Gente!".

A Mocidade foi a última escola do grupo especial a se apresentar e levou ao Sambódromo de São Paulo um desfile comandado pelo carnavalesco Zilkson Reischeio com predomínio das cores vermelha e dourada para homenagear os ícones do humor nacional, divididos em 24 alas com cinco carros alegóricos.

A comissão de frente "O Riso Inocente" puxava alas como "Piolim" e "Arrelia", homenagem aos veteranos palhaços; "Mazzaropi e seu humor caipira"; "Dercy Gonçalves e a perereca da vizinha". Artistas circenses faziam acrobacias em um dos carros. Logo atrás, alas que homenageavam programas ou personagens da tevê como "TV Pirata", "Vampiro Brasileiro",personagem de Chico Anysio, "Grande Otelo" e "Produto Tabajara". A escola levou ao Sambódromo os atores Rosi Campos -que desfilou pela primeira vez- e Cássio Scapin -que já o faz há 14 anos.

A ala das baianas desfilou com roupas em branco, vermelho e dourado. Atrás, o carro "As Chanchadas e o Jeitinho Brasileiro" fazia referência aos cine-teatros e às vedetes do teatro de revista, enquanto "Sátira Brasil, Uma Zorra Total" teve atores do programa de mesmo nome da Rede Globo, como Fabiana Karla, do bordão "Isso não te pertence mais!". A conclusão do desfile da Mocidade fez referência à alegria do carnaval, com destaque para o carro alegórico "Sorria, é Carnaval!".

Um dos principais destaques da escola foi a rainha da bateria, Nani Moreira (foto), que desfilou com um tamborim nas mãos. No ano passado, ela sofreu queimaduras após um acidente com fogos de artifício instalados em sua fantasia.

Criada em 1967 por irmãos fluminenses, a escola do bairro do Limão, zona Norte de São Paulo, completa 40 anos de Carnaval e acumula seis títulos no grupo especial em sua trajetória. A Mocidade Alegre havia sido campeã pela última vez em 2004.

As escolas rebaixadas foram Unidos do Peruche e Imperador do Ipiranga, que ficaram em 12º e 13º lugares, respectivamente. No Carnaval do ano que vem elas desfilarão no Grupo de Acesso.

Segundo lugar vai para Unidos da Vila Maria
Depois de um quarto lugar em 2006, a Unidos de Vila Maria teve um ótimo desempenho no Carnaval 2007. Penúltima escola a desfilar no primeiro dia, a escola conquistou a aquibancada com o enredo "Vila Maria: Canta, encanta com minha história... Cubatão, rainha das serras", composição de Panda, Edmílson Silva, Dom Álvaro e Rick Ramos.

A história da cidade foi lembrada em diversas alas. Um boneco de sanfoneiro gigante de oito metros e outro do boi-bumbá lembraram as festas populares de Cubatão. Foi o quinto ano da escola no Grupo Especial.

Criando clima com alegorias originais e uma chuva de serpentina e confetes em um dos carros, a escola teve alas inteiras com representantes mascarados. Algumas delas foram "Procissão dos Mortos", que representa uma lenda local, "Estação das Artes", "Festa do Siri" e "Festa da Banana" -esta última referência às barracas de bananas que se instalam nas rodovias de acesso ao litoral que passam pela cidade. Uma das alas era composta apenas por pessoas em cadeiras de rodas.

Mesmo com Beth Carvalho, Vai-Vai fica em terceiro
Com alegorias e fantasias feitas com garrafas pet, CDs e caixas de supermercado, a escola mais tradicional de São Paulo entrou na avenida com mais de 3 mil componentes para falar de reciclagem e preservação. O tema empolgou o público, que cantou e aplaudiu o samba-enredo da escola por todo o percurso. "O 4º reino - O reino do absurdo" trouxe o plástico como centro das criações do carnavalesco Chico Spinosa.

A apresentadora Ana Maria Braga veio no carro abre-alas "Reino Internet Reino Mineral", que também trouxe mulheres com seios à mostra e um telão colorido de 6 metros, que mostrava para o público imagens dos desfiles em que a Vai-Vai conquistou seus outros títulos no passado - a escola é uma das maiores vencedoras do Carnaval de SP, já tendo vencido 12 campeonatos.

A Vai-Vai levou para a avenida carros-alegóricos sem tapadeiras na parte de trás, deixando vazar os passistas na avenida. O segundo carro da escola, que representava o petróleo, soltava fogo. O quarto carro soltava bolhas de sabão, para a alegria do público.

A ex-morena do "É o Tchan" Scheila Carvalho veio à frente da bateria, comandada por Mestre Tadeu. Todos os integrantes da bateria usavam óculos escuros em modelos praticamente iguais.

A mangueirense Beth Carvalho, que foi este ano impedida de desfilar na escola carioca, se apresentou no último carro "O negócio é reciclar", que reuniu os baluartes da escola do Bexiga.

A escola se fez a partir do mais antigo cordão de São Paulo, o Grupo Carnavalesco Barra Funda, de 1914. Instalada no Bexiga, a Vai-Vai foi fundada em 1930, mas só em 1972 se transformou em escola de samba, com a introdução de tamborim, pandeiro e cuíca.
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