17/02/2007 - 08h20
Casa Verde, Vila Maria e Nenê são destaques no primeiro dia do Carnaval de São Paulo
Da Redação
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Alexandre Schneider/ UOL
Adriana Bombom, rainha da Tom Maior, chegou atrasada, mas brilhou no Sambódromo
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A primeira leva de desfiles do Carnaval paulistano acabou já com o dia claro, às 7h da manhã, e teve fortes concorrentes ao título de campeão. Entre alegorias e fantasias luxuosas, enredos ecológicos, homenagens e baterias contagiantes, destacaram-se a bicampeã Império de Casa Verde, a Unidos de Vila Maria e a Nenê de Vila Matilde.
A Império de Casa Verde, vencedora dos títulos de 2005 e 2006, investiu R$ 3 milhões em alegorias e fantasias com detalhes como bordados e carros alegóricos articulados. As fantasias da comissão de frente, com plumas e tecidos de altíssima qualidade, chegavam a custar R$ 22 mil. A escola soube valer-se da riqueza do tema para explorar a opulência de impérios da história da humanidade, como o do macedônio Alexandre, o Grande. Tigres gigantes de pelúcia colorida "puxavam" os carros alegóricos, com o tigre-símbolo da Império encerrando a passagem. A "imperatriz" Sheila Mello puxou a animada bateria.
A Unidos de Vila Maria falou de ecologia ao retratar a recuperação de Cubatão, ex-símbolo da poluição industrial, alçado pela agremiação ao posto de "rainha das serras". Com alas inteiras de mascarados e um carro que "chovia" serpentina e confetes por onde passava no Anhembi, a escola conseguiu criar um clima de empatia com o público.
A Nenê de Vila Matilde teve Royce do Cavaco na homenagem que prestou a João Jorge Saad, fundador da rádio e TV Bandeirantes, e emocionou ao trazer ícones da televisão e do rádio como Dercy Gonçalves, Raul Gil e Demônios da Garoa. Um dos carros representava a rua 25 de Março da capital, homenagem à comunidade árabe paulistana. Os integrantes vieram vestidos de mascates, já que o próprio Saad, de origem síria, foi vendedor de tecidos na juventude.
Quem também obteve boa empatia com o público foi a X-9 Paulistana. O tema "Força Brasil - O país surge da tinta, delira num carnaval de cores" deu à X-9 o pretexto para apostar em um desfile multicolorido. A história do Brasil passou a ser contada de maneira luxuosa com homenagens ao comércio, à classe operária, às crianças e aos esportes.
Colocar a Ala das Baianas na frente foi a solução encontrada pela Imperador do Ipiranga para não cansar as veteranas. Apesar da inovação, a escola não empolgou o público presente no Anhembi na primeira noite de desfiles. O rapper Rappin' Hood veio em cima do caminhão de som como um dos puxadores do enredo "Siderurgia Forte Constrói um Mundo de Aço".
Algumas atribulações marcaram a apresentação da Tom Maior. Primeiro, a escola sediada no bairro de Pinheiros quase ficou sem rainha da bateria. A dançarina Adriana Bombom não foi reconhecida por um segurança do evento, que a barrou. Mais de 20 minutos atrasada, ela teve que percorrer a pista de desfile "na contramão" para poder chegar a sua ala. Outro problema aconteceu com o 5º carro da escola, que demorou a sair da concentração. Ainda ali, outro conflito: uma passista foi impedida de entrar por um diretor de ala. Já durante o desfile, um homem de 24 anos ficou prensado entre duas partes de um carro articulado. Ele foi levado desacordado ao hospital.
A aposta da Acadêmicos do Tucuruvi foi também em enredo ecológico. Cantando os recursos, a energia e os combustíveis renováveis, a escola da zona norte trouxe a apresentadora da Rede TV! Luísa Mell como rainha da bateria e crianças vestidas de abelhas. Seu símbolo, um gafanhoto (Tucuruvi, em tupi-guarani, significa gafanhotos verdes) teve destaque, e os 230 ritmistas da bateria empolgaram o público. As fantasias da comissão de frente chegavam a custar R$ 18 mil e a ala das baianas chamou a atenção por simbolizar, nas próprias fantasias, o dia e a noite.
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