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12/09/2007 - 12h50Mercedes cria carro com bancos eletrônicos e 'olhos' no farol
CLÁUDIO DE SOUZA Em termos industriais, o carro ainda não existe de fato, e na verdade não há certeza de que venha, um dia, a circular. Mas o Mercedes-Benz F 700 (protótipo) é um indiscutível destaque do Salão de Frankfurt, na Alemanha, que abre ao público nesta quinta (13). Trata-se de um sedã de altíssimo luxo, pensado para ser uma espécie de extensão da sala de estar do proprietário -- caso ela seja tão refinada quando o habitáculo do F 700.
Por fora, o F 700 é o que tipicamente se espera de um sedã de luxo do futuro, com linhas um pouco mais ousadas e sinuosas que a tradição da marca alemã. O conjunto ótico, por exemplo, surge mais verticalizado, acompanhando a curva do pára-lama; as janelas têm formas mais elípticas. Depois da primeira impressão, percebe-se que as maçanetas das portas dianteira e traseira de cada lado ficam juntas. E aí começa a descoberta do interior do F 700. As portas abrem, ambas, para fora -- ou seja, as de trás abrem para a direita (a que fica atrás do motorista) e esquerda (atrás do passageiro). Isso garante um acesso vasto ao habitáculo. Bancos Dentro, quem comanda o show são os equipamentos. Cada passageiro de trás (cabem apenas dois, porque o assento é dividido pelo apoio de braço) tem à disposição uma tela LCD individual -- exatamente como nos aviões mais modernos. Se os passageiros de trás não quiserem ver TV, e sim dormir, ambos os assentos deslizam em trilhos e viram camas -- espaçosas e horizontais, com na primeira classe (de novo) dos aviões. Tudo isso é feito por meio de controles eletrônicos. Ninguém precisa mover um músculo. O detalhe é que, atrás dos encostos dos bancos traseiros, há outras TVs, de mais ou menos 20 polegadas. Para assisti-las, apenas aperta-se mais um botão, e as poltronas armam-se de novo, só que na posição oposta: os passageiros de trás ficam de costas para o motorista. De acordo com a Mercedes, tudo é uma questão de tratar do conforto de cada pessoa a bordo de forma individual. Em meio à "onda verde" que tomou conta da indústria automobilística (que tem um acordo com a União Européia para chegar a emissões de no máximo 120 gramas de CO2 por quilômetro rodado, limite que, por sinal, não está sendo cumprido e deve virar lei), pode parecer absurdo elogiar um carro como o F 700, destinado apenas ao tipo de magnata que nunca se importou em dirigir carros gigantescos e beberrões. Mas a Mercedes jura que o F 700, que teria um motor híbrido (diesel + eletricidade) de 1.8 litro muito otimizado, entregando um total de 258 cavalos, seria (ou será) capaz de rodar cerca de 18,8 km com um litro de combustível, emitindo CO2 a 127 g/km. É mais que o combinado, mas muito menos que o esperado. Os olhos do carro Na parte tecnológica, a grande inovação do F 700 é a suspensão Pre-Scan. Dois sensores disparam raios laser em direção ao terreno à frente do carro, recolhendo informações sobre o que as rodas vão encontrar. Em seguida, a suspensão cria -- como descreve a Mercedes -- uma estratégia para cada roda abordar a pista de maneira a minimizar o impacto para quem está a bordo. Figuradamente: o carro "vê" uma eventual irregularidade na pista, "pensa" como seria mais conveniente passar por ela, e se prepara para isso. Outros 'verdes' Além do F 700, a Mercedes apresenta em Frankfurt um punhado de carros que têm data para entrar em linha -- alguns em 2008, outros em 2009 e vários em 2010. O que os une são o motor Bluetec, que controla as emissões de CO2, ou o Bluetech Hybrid, que roda com diesel + eletricidade. Entre eles, estão a minivan Classe F, que pode entrar em linha em 2010 e que promete fazer notáveis 33 km/l; o Classe A 160 CDI, monovolume prometido para o próximo ano, e o sedã S300, outro que chegaria em 2010.
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