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13/09/2007 - 11h47Greenpeace critica a indústria, mas poupa os carros
CLÁUDIO DE SOUZA O grupo internacional ecológico Greenpeace faz um protesto bem à porta do 62º Salão de Frankfurt, na Alemanha, maior evento mundial da indústria automotiva, que abriu nesta quinta (13) ao público e vai até dia 23. Compõem a cena três carros (Audi, BMW e Volkswagen, todos alemães) caracterizados como porcos -- pintados de rosa e com focinhos de mentira -- e uma espécie de escultura imitando uma fumaça negra, estampada com o símbolo CO2 (dióxido de carbono, o gás emitido pelos carros). Perto dali, na torre de uma igreja, uma faixa com o desenho de outro rosado carrinho-porco.
Tudo isso encimado com a acusação "Klimaschweine", algo como "porcos do clima". A referência, mais do que aos carros, é à indústria automobilística. "Tudo que está sendo dito ou mostrado no salão em termos de soluções ambientais para os carros nós já adiantamos há 11 anos", disse ao UOL o encarregado de assuntos automobilísticos do Greenpeace, Günter Hubmann. Para ele, o que se discute agora já deveria ter sido pensado há pelo menos duas décadas. Diversas fabricantes de carros estão mostrando em Frankfurt uma grande preocupação com a questão ecológica, exibindo carros com motores pouco poluentes (como o Bluetech da Mercedes-Benz e o BlueMotion da Volkswagen) e prometendo intensificar o uso do hibridismo (motores que conjugam diesel e eletricidade) na busca por índices mais reduzidos de emissões de dióxido de carbono. Mas o Greenpeace quer mais que isso. Segundo Hubmann, a União Européia tem como meta para 2020 o licenciamento de carros que rodem cerca de 33 km com um litro de combustível. "Só que já faz dez anos que nós mostramos um Renault Twingo modificado capaz de atingir essa marca, e emitindo 70 gramas de CO2 por quilômetro", disse. O carro está exposto no saguão da igreja em que a faixa foi instalada. Atualmente, a UE tem um acordo com a fabricantes para que seja atingida até 2012 a marca de 120 g/km. O descumprimento disso pode transformar o que hoje é um apenas acordo numa lei -- daí a movimentação das fábricas. "Acreditamos que o futuro da mobilidade é um carro para quatro ou cinco pessoas, confortável, pesando cerca de 700 kg e rodando os 33 km/l", afirmou Hubmann. Ou seja, o Greenpeace não é contra os carros -- e sim contra os atuais modelos, caros, pesados e cheios de peças. "Um carro como o que defendemos empregaria muito menos materiais e gastaria muito menos energia", completou o representante do Greenpeace. Que, aliás, garantiu estar à altura de sua pregação: "Já faz 14 anos que eu não tenho carro".
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