Adoçante engorda ou faz mal à saúde?

Suzana Esper
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Uma pesquisa da Universidade de Purdue, em Indiana, nos Estados Unidos, concluiu que a sacarina, um tipo de adoçante, pode levar ao aumento de peso em ratos. O estudo foi divulgado por uma revista científica chamada "Behavioral Neuroscience" e reacendeu a velha polêmica em relação ao consumo de adoçantes.

No Brasil, Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres Diet e Light (Abiad) se pronunciou contra o estudo. "O adoçante é seguramente um dos produtos mais estudados e pesquisados na indústria e há muitos anos", diz Carlos Gouvêa, presidente da entidade. Ele reitera que o uso dos produtos no país está respaldado legalmente e é fiscalizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Gouvêa ressaltou que a legislação brasileira divide os adoçantes (ou edulcorantes) em artificiais e naturais e estabelece limites máximos para o consumo de cada um deles. A Organização Mundial da Saúde (OMS) determina o consumo para os tipos mais conhecidos no mercado. O valor diário de consumo permitido para cada substância deve ser multiplicado pelo peso do indivíduo. No caso da sacarina (citada na pesquisa), são consideradas limite 5 mg/kg, ou seja, uma pessoa com 55 quilos poderá ingerir, diariamente, 275 miligramas de sacarina.

LIMITES PERMITIDOS
Fonte: OMS
EdulcoranteLimite (mg/kg)
Acessulfame-K15
Aspartame40
Ciclamato11
Frutose não existe limite
Sacarina5
Estévia 5,5
Sucralose15
Xylitol, Manitol, Sorbitol15
Alitame 1
Glocosídeos de Esteviol 2
Neotame 2 (ainda não aprovado no Brasil)
Renata Pinotti, nutricionista da Abiad, afirma que o equilíbrio é a prerrogativa de uma alimentação saudável e de uma dieta alimentar balanceada. Renata esclarece, ainda, que "não há como o adoçante engordar, mas ele também não emagrece".

Renata explica que consumimos uma série de produtos no dia-a-dia que contém edulcorantes, como os alimentos diet e light. "O ideal é sempre variar. Toda substância química consumida em excesso poderá vir a fazer mal, assim como corante, o aromatizante", conclui. Ela recomenda o consumo de, no máximo, três produtos light ou diet por dia.

"A gente não pode tirar uma conclusão baseada na pesquisa, a não ser que você esteja preocupado com o peso de seu rato", diz o endocrinologista Marcio Mancini, da Universidade de São Paulo (USP), presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

O médico explica que o açúcar não é um alimento fundamental para o ser humano. A glicose é o combustível principal para as células, mas todos os outros alimentos que fazem parte da dieta alimentar, como os carboidratos complexos (por exemplo, o pão e a batata), são modificados e transformados em glicose. Ou seja, qualquer pessoa pode sobreviver sem comer açúcar refinado.

O presidente da Abeso diz que o existe muito mito em torno do consumo de adoçante. "O único adoçante que tem uma dose máxima fácil de ser atingida é o ciclamato, que vem sendo retirado sistematicamente do mercado", afirma. Já em relação ao aspartame e à sacarina, as doses permitidas são muito elevadas. "Seriam necessárias dezenas de latas de refrigerante por dia para ter problema", garante. Ele acrescenta que os adoçantes naturais, como a estévia, são seguros, mas há bem menos pesquisas com esse tipo de produto na literatura científica.


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