Novo remédio contra a obesidade começa a ser vendido no Brasil

Tatiana Pronin
Editora do UOL Ciência e Saúde

Um ano após ser aprovado pelo Ministério da Saúde, começa a ser comercializado no país o rimonabanto (princípio ativo do Acomplia), a mais recente promessa da indústria farmacêutica para tratar a obesidade e reduzir a gordura abdominal, associada a diabetes e doenças cardiovasculares.

O lançamento vai aliviar o bolso de quem já vinha consumindo o remédio via importação, pagando mais de R$ 400,00 por mês de tratamento. Nas farmácias brasileiras, a caixa vai custar no máximo R$ 225,00.

Segundo a Sanofi-Aventis, fabricante do produto, o Acomplia já é comercializado em mais de 50 países, incluindo a Europa. Mas o produto não foi aprovado pela agência regulatória dos EUA, o FDA, devido aos riscos de depressão e pensamentos suicidas associados à substância. O comitê consultivo da agência vetou a droga em junho do ano passado, requisitando mais resultados que comprovem sua segurança.

Estudo

Em um dos estudos feitos com o remédio, apresentado no último congresso do Colégio Americano de Cardiologia, efeitos psiquiátricos foram documentados em 43,4% dos pacientes, incidência quase duas vezes maior que a observada em indivíduos que tomaram placebo. Outros efeitos colaterais possíveis são tontura e náusea.

Os pacientes tratados com rimonabanto perderam, em média, 4 kg e 5 cm de circunferência abdominal, após 18 meses de tratamento. As taxas de HDL (bom colesterol) aumentaram e as de triglicérides diminuíram em mais de 20%, o que indica que a droga pode desacelerar a evolução das doenças cardiovasculares.

Estudos anteriores também mostraram que o remédio beneficia pacientes com diabetes tipo 2, não só por reduzir o peso, mas também por melhorar o controle dos níveis de açúcar no sangue.

"O Acomplia não é uma panacéia. Como qualquer medicamento, ele produz efeitos adversos e por isso não pode ser usado com finalidade estética", afirma Jaderson Lima, diretor médico-científico da Sanofi-Aventis.

O rimonabanto é indicado para pacientes obesos (com Índice de Massa Corpórea maior ou igual a 30 kg/m²) ou com sobrepeso (IMC maior que 27 kg/m²) e fatores de risco associados, como diabetes tipo 2 e triglicérides alto.

Mecanismo de ação

O rimonabanto inaugura uma classe de medicamentos que atuam no chamado sistema endocanabinóide, ligado ao apetite e ao metabolismo de açúcares e gorduras. Esse mecanismo foi descoberto a partir de estudos sobre os efeitos da maconha no organismo. Se a droga é capaz de estimular a fome, os pesquisadores avaliaram que era possível sintetizar uma substância que provocasse o efeito contrário.

"O medicamento atua no sistema de recompensa do cérebro, por isso não se pode descartar o risco de depressão", explica o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ele lembra que outras drogas para emagrecer que atuam no sistema nervoso também podem afetar o humor.

Como ressalta o endocrinologista Marcos Tambascia, professor da Unicamp, é preciso que os especialistas questionem seus pacientes sobre pensamentos suicidas e histórico de depressão antes de prescrever o remédio. "O psiquiatra tem um olho clínico para detectar se a pessoa está deprimida. Já nós, endocrinologistas, temos que perguntar se o paciente já pensou em se matar ou achou que a vida não tinha sentido", diz.
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