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Timidez atinge cerca de metade da população, mostra estudo

Chris Bueno

Especial para o UOL Ciência e Saúde

28/11/2009 08h00

Falar em público, declarar-se para a pessoa amada, apresentar-se em uma peça de teatro, enfrentar uma entrevista de emprego, começar em um emprego ou em uma escola nova... Essas são situações que causam algum grau de desconforto para todo mundo.  A voz treme, o rosto fica vermelho, a pele parece queimar e até as pernas ficam bambas. Porém, os tímidos, o sufoco aparece em situações do dia-a-dia, prejudica relacionamentos e o desempenho profissional.

 

 

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Um pouco de timidez ser até saudável, já que torna o indivíduo mais cauteloso, menos impulsivo e mais atento aos comportamentos e sentimentos dos outros
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A timidez não é uma doença, mas traz sofrimento como se fosse uma. Em um grau muito elevado, pode até causar reações psicossomáticas, como explica o psicólogo René Schubert: "Muitas vezes o indivíduo chega até a apresentar fenômenos físicos desta retração: começa a sentir-se muito ansioso, nervoso, sente calores ou frios pelo corpo, começa a suar muito, tem palpitações, gagueja ou perde momentaneamente a fala, tem dores musculares e sensações de mal-estar generalizado”.

 

 

É assim que se sente Tiago Oliveira, 15 anos, em muitas situações. "Se tenho que apresentar um trabalho em sala de aula, eu preciso ficar me preparando antes, e mesmo assim na hora de falar sinto meu rosto queimar, começo a gaguejar e acabo esquecendo o que tenho que dizer". Tiago também diz que tem muita dificuldade em fazer amizades e passa a maior parte do tempo quieto, enquanto o resto da turma conversa e faz brincadeiras. “Demoro muito para fazer amizades. Fico ensaiando para tentar puxar conversa, mas na hora não vai”, diz.

 

Ele não é o único. Aliás, ao contrário do que se pensa, a timidez é a regra, e não a exceção. Um recente estudo da faculdade de Windson, no Canadá, aponta que cerca de metade da população sofre com a timidez. Esse número aumenta consideravelmente ao se considerar que mesmo os mais desinibidos têm ao menos uma “crise de timidez” em algum momento da vida - até os mais extrovertidos podem tremer em uma entrevista para um emprego muito desejado ou ao se declarar à pessoa amada.

 

Apesar de um pouco de timidez ser até saudável - ela torna o indivíduo mais cauteloso, menos impulsivo e mais atento - em excesso pode se tornar um problema sério. Pode impedir o relacionamento com outras pessoas, experiências novas e desenvolvimento no trabalho e na escola. “Quando a timidez alcança níveis em que a pessoa evita e se esquiva de trocas sociais, isso pode evoluir para um quadro de retração social grave, fazendo com que a pessoa perca oportunidades tanto no campo relacional quanto no profissional e cultural”, alerta Schubert.

 

Isso se evidencia especialmente no mercado de trabalho, onde a proatividade e a comunicatividade são qualidades muito valorizadas. "Vivemos em uma sociedade que tende a valorizar, positivamente, pessoas mais extrovertidas, falantes e que possuem maior facilidade em se expor", explica a psicoterapeuta Sâmara Jorge. O resultado é que uma pessoa tímida tem muito mais dificuldade em conseguir um emprego ou uma promoção - mesmo sendo profissionais competentes. Isso porque têm dificuldade em participar ativamente de reuniões, apresentar seu ponto de vista, fazer críticas e expor opiniões, ou mesmo trabalhar em equipe.