Médicos são céticos em relação a chás contra miomas

Chris Bueno
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Uma pesquisa realizada já há nove anos no Estado do Amazonas vem utilizando chás de unha-de-gato e uxi-amarelo, duas plantas da região, para o tratamento de miomas. Segundo a pesquisa os resultados vêm apontando a diminuição dos miomas sendo que 90% de suas pacientes conseguiram resultados satisfatórios. No entanto ainda não há comprovação científica da eficácia desses chás no tratamento de miomas.

O uxi-amarelo e a unha-de-gato são conhecidos anti-inflamatórios naturais. A combinação das duas plantas também fortaleceria o sistema imunológico. Porém muitos médicos vêem com ceticismo e preocupação a utilização desses chás para o tratamento de miomas.

Miomas são tumores benignos no útero que podem aumentar de tamanho e causar sangramentos. Apesar de benignos, eles não têm cura, sendo necessário tratamento e até mesmo a retirada do útero em alguns casos.

Um dos perigos de se utilizar o chá no tratamento de miomas é combiná-lo com outros medicamentos, ou mesmo substituir um tratamento indispensável pela bebida. “Não há testes clínicos e toxicológicos para esses chás nem garantia da eficácia do tratamento. Por isso, o grande mal está em postergar o tratamento adequado, com medicamentos realmente eficazes”, alerta Ernani Pinto, professor do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas da USP (Universidade de São Paulo).

Além disso, os chás de uxi-amarelo e unha-de-gato também possuem contra-indicações ao seu uso. O próprio estudo aponta que o chá afina o endométrio, dificultando a gravidez. Também está contra-indicado para as grávidas porque existe um efeito citotóxico no feto. É ainda contra-indicado para crianças e pacientes que sofreram transplante, pois pode afinar o sangue e levar à hemorragias. Altas doses do chá podem causar dores abdominais, diarréia e problemas gastrointestinais.

Porém muitas mulheres vêm tomando este chá indiscriminadamente e sem orientação médica para tratar seus miomas. Mesmo quando se trata de plantas medicinais, a automedicação é muito perigosa e a superdosagem sempre existe, podendo causar mais problemas para a saúde. “No caso de doenças graves, moderadas ou crônicas deve-se seguir a orientação médica e de outros profissionais de saúde, evitando que a doença seja agravada por tratamento inadequado ou por falta de tratamento”, afirma André Gonzaga dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp (Universidade Estadual Paulista).
 



Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos