À espera da Rio+20, cariocas se mobilizam para hospedar visitantes em casa

A notícia da falta de quartos de hotel para receber os 50 mil visitantes esperados para a Rio+20 incentiva cariocas a abrirem suas portas. Mas o portal da prefeitura para estimular a hospedagem domiciliar deve ser lançado somente semana que vem, a um mês da conferência.

Buscar uma vaga em hotéis cariocas entre 13 e 22 de junho, quando a cidade recebe a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - com a presença de delegações oficiais, ONGs e ativistas do mundo todo - é uma tarefa árdua.

Diante do cenário de superlotação de hotéis e preços altos de diárias, o prefeito Eduardo Paes anunciou, em março, o lançamento de uma campanha para estimular a hospedagem domiciliar.

O portal para viabilizar o projeto, inicialmente prometido para o início de abril, será lançado pela Riotur na segunda semana de maio, de acordo com o secretário municipal de turismo, Antonio Pedro Figueira de Mello.

Mello não arrisca dizer quantas vagas serão geradas pelo programa, mas aposta na fama dos cariocas para que não falte hospedagem para os visitantes.

"O carioca é por natureza um povo muito receptivo, tanto que o Rio já ganhou prêmios como a cidade mais receptiva do mundo. Tenho certeza que os cariocas vão abrir suas portas para os visitantes", afirma.

"Os visitantes poderão ter uma experiência única de conviver com os cariocas e conhecer melhor a cidade, e os cariocas terão a chance de ganhar uma rendinha a mais."

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), o Rio tem 33 mil quartos (incluindo pousadas, albergues e motéis reformados). Outros 10 mil quartos serão construídos a tempo da Olimpíada de 2016, mas só começam a ficar prontos no ano que vem.

À espera

No site, moradores poderão anunciar quartos para alugar em suas casas, seguindo o modelo de hospedagem domiciliar, tipo "bed & breakfast"; ou apartamentos inteiros, em aluguéis de curta temporada, sem a presença dos anfitriões

André Teixeira, empresário do ramo gráfico, é um dos interessados. Em março, quando a prefeitura anunciou a campanha, ele decidiu alugar seu apartamento no Recreio, próximo à principal sede da conferência, para ganhar um dinheiro a mais.

No entanto, ele continua esperando o lançamento do portal, preferindo não buscar outros caminhos.

"Acho importante o Rio desenvolver essa cultura de alugar seu apartamento por 10, 15 dias e ganhar uma receita extra. Vai ajudar a cidade a se movimentar", considera Teixeira.

"Mas tem que ser feito de uma maneira legal, e não informal", afirma ele, que teve boas experiências com hospedagem domiciliar na Alemanha.

Professor de turismo na Universidade Veiga de Almeida, o consultor de hotelaria Carlos Davies considera a iniciativa da prefeitura importante, mas diz que o brasileiro ainda não tem o costume da hospedagem domiciliar e que é preciso tempo para que isso se desenvolva.

"Isso não pode ser feito empiricamente. As pessoas precisam de uma orientação para receber estrangeiros. O ideal seria oferecer um curso de graça para esse pessoal, ensinando como se recebe, como se faz um café da manhã para os gringos. Coisas básicas", sugere.

Ele considera que o governo terá que fazer uma campanha forte para engajar os cariocas no curto prazo até a conferência. Mas os avanços poderão ficar como legado para os grandes eventos que a cidade receberá até 2016.

"Uma vez que isso vai para a frente, o pessoal vai querer repetir em outros eventos e já não vamos ter o problema que temos hoje", pondera Davies.

Procura 'bombando'

Enquanto a campanha oficial não deslancha, alguns cariocas buscam outros caminhos, impulsionando o mercado de aluguéis por curta temporada.

O empresário Eduardo Serrado sentiu o efeito na empresa que está iniciando, House in Rio. Ele aproveitou a Rio+20 para lançar seu portal de aluguel de imóveis por curta temporada, começando com uma versão dedicada especialmente ao evento - House in Rio Plus 20.

A página foi ao ar no início de março com menos de 20 imóveis, e hoje tem cerca de 400 apartamentos cadastrados, 40% dos quais já estão alugados.

"A procura tem sido grande. Nós já atendemos embaixadas, ONGs, associações... Disponibilizamos as características dos imóveis e os contatos dos proprietários e as pessoas fazem o contato direto com eles", explica.

"Muitas pessoas estão alugando seus apartamentos por temporada pela primeira vez e agora está começando a aumentar o número de pessoas alugando quartos dentro da própria casa."

O designer Charlles Amorim anunciou um estúdio que costuma alugar por temporadas em Copacabana. "Para a Rio+20, a procura bombou. No mesmo dia comecei a receber e-mails e dois dias depois já tinha fechado para o evento", diz.

Ele alugou o apartamento para dois noruegueses por R$ 220 por dia.

'Preços de mercado'

Valores semelhantes aos cobrados por Amorim são difíceis de encontrar em hotéis nas zonas sul e oeste do Rio, onde a demanda no período da conferência elevou os preços.

No início de abril, uma reportagem da BBC Brasil mostrou que os altos preços das acomodações durante a conferência estão levando delegações europeias a reduzirem o número de pessoas nas delegações.

No portal da prefeitura não haverá regulação para os preços de hospedagem domiciliar ou aluguéis anunciados no portal da prefeitura. De acordo com Antonio Pedro Figueira de Mello, os valores deverão seguir a lei do mercado.

"É uma relação mais pessoal do dono da casa com o consumidor e vai pelo bom senso. Se o proprietário colocar um valor exorbitante, terá que achar alguém que acha que vale", diz.

A prefeitura contará com parceiros com experiência no setor, como o Cama e Café e o Bed & Breakfast Brasil. Segundo Mello, eles farão o "meio de campo" com os proprietários que quiserem cadastrar seus imóveis no site e a checagem dos locais.

Mello não dá detalhes sobre os pré-requisitos ou condições para o aluguel, mas afirma que as informações estarão concentradas no site.

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