Movimento "Veta, Dilma!", sobre o Código Florestal, vira fenômeno nas redes sociais

Do UOL
Em São Paulo

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    Imagem do personagem Spock, de "Startrek", fazendo um apelo para que a presidente vete o texto que modifica o Código Florestal

    Imagem do personagem Spock, de "Startrek", fazendo um apelo para que a presidente vete o texto que modifica o Código Florestal

A discussão sobre o novo Código Florestal brasileiro é árida, técnica e gera dúvidas até entre aqueles que acompanham o assunto pela mídia. Apesar disso, o esforço das equipes de comunicação de ONGs tem conseguido a façanha de fazer o assunto "bombar" nas redes sociais. Se você usa o Facebook ou o Twitter, certamente já viu algum amigo compartilhar alguma imagem bem-humorada da campanha "Veta, Dilma!".

Tudo começou em agosto do ano passado, quando as ONGs, começaram a usar a web para conscientizar o público leigo sobre o projeto que altera o Código Florestal. Durante as votações, faziam vigília e colocavam especialistas para explicar, online, os pontos polêmicos dos textos, como a questão da anistia aos desmatadores.

Também na época, foi lançada a campanha "Floresta Faz a Diferença" (#florestafazadiferenca), encabeçada pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, uma coalizão formada por mais de 200 organizações da sociedade civil. Com a participação do cineasta Fernando Meirelles, a campanha colocou celebridades como Wagner Moura, Gisele Bündchen, Alice Braga e Rodrigo Santoro para alertar as pessoas, por meio de vídeos e fotos, sobre os prejuízos que o projeto poderia trazer ao país. Foi o primeiro passo para popularizar o tema, até então restrito a políticos, ambientalistas e gente politizada.

O movimento com os dizeres "Veta, Dilma!" começou logo depois, em dezembro. "O texto que saiu do Senado era tão ruim, que começamos a campanha desede então", conta Bazileu Margarido, integrante do instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), uma das organizações que ficou responsável pelo trabalho nas redes sociais.

Mas a repercussão só aumentou em abril deste ano, com um grande movimento organizado para o dia 22 (Dia da Terra) e, logo em seguida, no dia 25, quando a Câmara dos Deputados aprovou uma nova versão do texto, com as alterações propostas pelo relator Paulo Piau (PMDB-MG). Como ironiza Margarido, em vez de ficar com o "texto ruim" do Senado, os deputados optaram pelo "horroroso, péssimo".

A discussão entrou para o rol de assuntos mais abordados do Twitter e continuou em alta mesmo quando as ONGs decidiram modificar os dizeres para "Veta tudo, Dilma!". "Por uma questão técnica, não é mais possível corrigir o texto com vetos parciais; não é possível recuperar o que foi suprimido, como o Art. 1º", explica Margarido, justificando a leve mudança de estratégia. O objetivo das ONGs, agora, é mobilizar a opinião pública para que a presidente vete o projeto por inteiro e o debate seja recomeçado do zero (você pode ler os argumentos em http://www.florestafazadiferenca.org.br/ultimas-noticias/13-razoes-para-o-veto-total-ao-pl-1876-99-do-codigo-florestal).

"Achamos que o assunto ia esfriar no feriado, mas só cresceu", comemora Carolina Stanisci, assessora de comunicação do IDS. Além das peças postadas pelas ONGs, o público começou a fazer suas próprias montagens, creditando a frase "Veta, Dilma" a personagens como Spock (de "Jornada nas Estrelas") e Mafalda (do cartunista Quino). Resta saber qual a influência disso tudo na decisão da presidente.

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