"Enquanto a líder do mercado de avião continuar pregando seus sete mandamentos, encabeçados por 'Nada substitui o lucro', mesmo depois do acidente com o Airbus 320, tudo continua sendo perigoso e inseguro na aviação brasileira". A declaração é do vice-presidente da Associação de Familiares de Vítimas da TAM (AfavTAM), Archelau de Arruda Xavier, que se mostrou indignado com o fato da TAM colocar a segurança do cliente em terceiro lugar entre as suas prioridades.
Os
sete mandamentos TAM, criados pelo presidente da empresa, comandante Rolim Amaro, em 1997, são:
1. Nada substitui o lucro.
2. Em busca do ótimo não se faz o bom.
3. Mais importante que o cliente é a segurança.
4. A maneira mais fácil de ganhar dinheiro é parar de perder.
5. Pense muito antes de agir.
6. A humildade é fundamental.
7. Quem não tem inteligência para criar tem que ter coragem para copiar.
"Essa ordem dos mandamentos contribuiu para o acidente da TAM e eles seguem imutáveis", diz Xavier. Em resposta, a assessoria de imprensa da empresa informou que os mandamentos devem ser lidos em seu conjunto e não seguem ordem hierárquica.
Segundo o especialista em segurança de vôo Roberto Petarka, a aviação como um todo foi afetada pelos acidentes aéreos com o Boeing 737-800 da Gol e o Airbus 320, mas a TAM foi a que teve a imagem mais prejudicada. "Principalmente, porque o acidente foi no centro de São Paulo, em área urbana. Bem diferente do acidente com o avião da Gol, que foi no meio no mato. Para muitas pessoas ainda perdura uma culpabilidade da empresa", disse.
Ter a imagem prejudicada pelo acidente não parece ter influenciado no tão prioritário lucro da companhia aérea paulista. Os números divulgados pela TAM e apurados pela Anac em junho apontam recorde histórico de 75,3% na participação entre as companhias aéreas brasileiras no mercado internacional e taxa de ocupação de 73% nos vôos para o exterior, superando a média de 68% registrada pelo setor. No mesmo período, a empresa registrou 48,6% de participação no mercado de vôos domésticos e 67% na taxa de ocupação dos vôos nacionais.
Os resultados asseguram a liderança da TAM tanto no mercado doméstico, quanto nos vôos internacionais operados por companhias aéreas brasileiras. O programa de fidelidade da empresa possui hoje 4,7 milhões de associados. Em 2007, o lucro da TAM foi de R$ 128,8 milhões e no primeiro semestre de 2008, foi de R$ 2,655 milhões, já descontadas todas as despesas decorrentes do acidente.