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26/05/2008 - 16h12

Vendedora é presa em Goiás acusada de mandar matar o pai, a mãe e a avó para ficar com herança

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL
Em Goiânia
A vendedora Silviê Vieira Cardoso, 31, está presa desde o último sábado (24) na cidade de Silvânia (86 km de Goiânia) acusada em um inquérito de triplo homicídio contra membros de sua própria família. Segundo a polícia, ela é suspeita de ter mandado matar o pai, Waldely Cardoso de Paula, 57; a mãe, Sirlene Suely Cardoso, 52; e a avó Luzia Maria Vieira, 71, para ficar com a herança da família.

Os três foram mortos a tiros na fazenda da família, localizada no município de Gameleira, nas proximidades de Silvânia, na tarde da última sexta-feira (23).

O autor dos disparos é José Miguel Alves de Camargo, 19, que confessou os crimes e apontou Silviê como mandante. Ele morava na propriedade há cinco meses e trabalhava para as vítimas. A arma dos crimes, um rifle de repetição calibre 22, pertencia a Waldely.

"Ela chegou e perguntou se eu teria coragem de matar os pais dela. Disse que sim e combinamos o preço. Aí eu fiz o serviço", afirmou Camargo na delegacia.

Silviê, que trabalha como representante comercial em uma loja de celulares em Goiânia, não quis dar entrevista. Mas em depoimento e durante uma acareação com o assassino, negou qualquer participação no crime.

"O que percebemos é que o José Miguel não vacila. É convincente e não parece estar mentindo. Já a Silviê não passou essa mesma impressão. Tanto no depoimento como na acareação entre os dois. O José Miguel foi muito mais convincente", revelou o delegado do caso, Geraldo Caetano Brasil. Os dois ficarão presos em celas vizinhas até que seja definido para onde serão transferidos.

Tranqüilo e sem demonstrar qualquer reação emotiva, José diz que a avó de Silviê, Luzia, morreu porque estava no lugar errado na hora errada. "Nosso acordo era para matar os pais dela. Mas a Dona Luzia chegou com os dois e não tive outra alternativa. Não era para ela morrer", disse.

O "preço" do crime

José conta que receberia cerca de R$ 30 mil. "Eram R$ 7 mil, mais o carro, que avaliamos em R$ 23 mil. Ela falou que venderia o carro e que me passaria o dinheiro."

Segundo ele, inclusive, o acordo previa a simulação do roubo do veículo, que seria abandonado na cidade de João Pinheiro, em Minas Gerais. "Ela recuperaria o carro, venderia e passava o dinheiro pra mim. Esse era o trato", informou o acusado.

Entretanto, o plano de Silviê começou a desmoronar quando José foi abordado no carro roubado (Gol preto) em Santa Maria (DF), após cometer uma infração de trânsito.

Na conversa com a polícia do Distrito Federal, confessou o crime e apontou a mandante. Informou, inclusive, que Silviê chegaria à fazenda às 15h30 de sábado onde encontraria os corpos.

A polícia ficou aguardando e prendeu a suposta mandante justamente no horário combinado. "Ela estava no local no horário que ele disse. Isso não pode ser coincidência", afirmou o delegado.

Outras informações repassadas por José Miguel reforçam a tese de que Silviê seria a mandante. "Depois que combinamos o preço liguei pra ela. Foi ela quem me disse que havia um molho de chaves atrás de um armário, que me daria acesso à casa. Também me disse que a arma estaria em baixo ou em cima do guarda-roupas. E que as balas estavam dentro. Achei tudo, como ela disse. Peguei o carro e segui com o plano", conta José Miguel.

O primeiro a morrer foi Waldely, que estava trabalhando no pomar da propriedade. As duas mulheres foram mortas dentro de casa. A polícia ainda apura se José Miguel estuprou Sirlene.

Ele confessa que chegou a arrastá-la para um quarto da propriedade, quando a vítima já estava ferida, mas garante que não consumou o estupro. "Arrastei ela para o quarto, mas depois desisti", conta o acusado. Cada uma das vítimas recebeu dois tiros.

Ele morava na propriedade, mas em uma casa nas proximidades da sede e afirmou que não tinha acesso à residência dos patrões. "Ele conta como tudo aconteceu com detalhes mínimos e bem pouco provável que esteja mentindo. Ele é franco, aberto. Ela já não é", reforça o delegado, que informou que Silviê e José Miguel se conheceram num haras onde ele trabalhava, em Sobradinho (DF). Foi ela que o convidou para trabalhar na fazenda dos pais.

Apesar de estar preso e nem ter idéia de quando conseguirá a liberdade, José Miguel afirmou à reportagem do UOL que ainda tem esperanças de receber o dinheiro combinado. "É lógico que vou receber. Perdi a liberdade, mas vou querer receber meu dinheiro. Tínhamos um trato e eu cumpri a minha parte. Eu fiz o serviço e não vou sair de mãos abanando", afirma.

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