O advogado Marcio Frazão, que defende os sargentos Bruno Eduardo de Fátima e Renato de Oliveira Alves e o soldado Sidney de Oliveiro Barros _três dos 11 militares presos acusados de envolvimento no caso em que três jovens foram mortos em favela do Rio de Janeiro no fim de semana_, disse que seus clientes "não sabiam que estavam levando os três jovens do morro da Providência para o morro da Mineira".
Os 11 militares foram presos na manhã de segunda-feira (16) pela Polícia Civil, depois de terem mandados de prisão expedidos pela Justiça. Os três jovens estavam desaparecidos desde sábado. Eles teriam sido entregues pelos militares a traficantes do morro da Mineira, comandado pela facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), rival do Comando Vermelho, que domina a Providência. Os corpos foram encontrados no domingo em um aterro sanitário em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. David Wilson Florêncio da Silva, 24, Wellington Gonzaga Costa, 19, e Marcos Paulo da Silva, 17, voltavam de um baile funk no morro da Mangueira, na manhã de sábado, quando foram detidos pelos militares, acusados de desacato, e levados ao comandante da tropa para que prestassem depoimento. Depois disso, os três não haviam mais sido vistos.
"Para eles, foi uma saída de rotina. Eles não saíram para uma missão. Estavam aguardando a viatura. Meus clientes não tiveram envolvimento com a prisão dos jovens", declarou o advogado.
Segundo Frazão, os clientes disseram que o tenente Vinícius Ghidetti de
Moraes Andrade e um sargento identificado como "Maia" foram os militares que conversaram com os traficantes. "De repente, eles se viram cercados de criminosos mais bem armados e em maior número. Logo o tenente começou a falar com eles", disse o advogado.
Frazão disse ainda que os clientes relataram que três ou quatro militares permaneceram na base do morro, enquanto os outros subiram com o carro.
Na opinião de Frazão, os 11 militares podem ser indiciados por seqüestro e aqueles que teriam entregue os jovens aos traficantes poderão ser indiciados por homicídio triplamente qualificado.
Militares ocupam o morro da Providência desde dezembro de 2007, onde atuam em obras sociais, segundo o Exército.
Nove militares estão sendo ouvidos nesta terça-feiraO delegado da 4ª DP, Ricardo Dominguez, ouve nesta terça-feira (17), no 1º Batalhão de Polícia do Exército da zona norte do Rio, nove militares _oito deles acusados de envolvimento no crime.
Segundo Domingues, o depoimento acontece no local onde os militares estão presos para evitar protestos em frente à 14ª DP, localizada próxima ao morro da Providência. Ele pode pedir a quebra de sigilo telefônico de militares envolvidos no crime para saber se houve algum contato prévio com os traficantes. Nesta quarta-feira, o delegado deve ouvir mais duas pessoas - o jovem que conseguiu escapar no momento da abordagem dos militares e outra testemunha, que não seria nem morador do morro da Mineira, nem da Providência. Todos os depoimentos são acompanhados por um capitão do Exército que será responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM)