O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta terça-feira, em visita ao Rio, que as obras do projeto Cimento Social, no morro da Providência, continuarão, mas que ainda não foi decidido se os militares irão permanecer no local.
Os moradores do morro pedem a saída do Exército, que estão participando de um projeto de obras na área da construção civil, depois que militares foram acusados de entregarar três jovens da comunidade a traficantes rivais de outra favela. "Vim aqui examinar as obras e mostrar claramente à comunidade que o fato do assassinato não pode contaminar o que está se realizando aqui", disse Jobim.
O ministro mostrou-se indignado com o ocorrido e assegurou que "todas as providências estão sendo tomadas para que a Justiça se realize". Entretanto, Jobim não disse quais medidas irá tomar para punir os militares envolvidos.
"Afirmei também a um parente que a Justiça será feita. Desse assunto eu entendo, eu fui juiz durante muito tempo. Vamos deixar bem claro a indignação do governo e de todos nós. Não podemos confundir o fato com a ação do Exército e as obras que estão sendo realizadas aqui", afirmou.
Jobim também garantiu que, após toda a elucidação dos fatos, as obras não podem virar objeto de disputa política. "O que há é a preocupação de termos uma solução para a comunidade."
Além de se reunir com o do chefe do Estado Maior do Comando Militar do Leste, general Mário Matheus de Paula Madureira, o ministro também falou com a vereadora Líliam Sá (PR), que pede a retirada imediata do Exército, e com a associação de moradores do morro da Providência. Jobim também tomou café com a tia de David Florêncio, um dos jovens mortos.