UOL Notícias Cotidiano
 

23/06/2008 - 14h00

Reduto católico tenta resgatar religiosidade no 'São João' de Campina Grande

Ana Luisa Bartholomeu
Enviado especial do UOL
Em Campina Grande (PB)
Um espaço de 500 metros quadrados dentro dos intermináveis 44 mil metros do Parque do Povo, coração do "maior São João do mundo" em Campina Grande (PB), tem o objetivo de resgatar a religiosidade da festa e a história dos santos juninos São Pedro, Santo Antônio e São João.

"O local é pequeno e modesto, mas a intenção é divina", explica Gustavo Lucena, coordenador do espaço e missionário da comunidade católica Pio X. Na área, que foi dividida em salas e tem imagens e motivos religiosos espalhados, voluntários explicam aos interessados a história dos santos e da doutrina católica que gerou a festa junina.

O número de visitantes chegou a 15 mil até o último dia 20, número pequeno se comparado à multidão de duas milhões de pessoas que passam pela festa no mês inteiro.

Mas Lucena não desanima. "Não tínhamos expectativa porque a iniciativa foi pioneira. Nunca houve na história do 'São João' campinense um espaço organizado desta forma e com este propósito. Estamos plantando uma semente, e é preciso ter paciência", explica.

"Diferentemente do resto da festa, aqui não vendemos bebidas alcóolicas. É um espaço voltado para a família. A adesão é fruto da necessidade, já que muita gente tem receio de trazer a família no Parque do Povo em dias muito lotados, devido à aglomeração", conta Lucena.

Segundo o coordenador do espaço, foram gastos R$ 15 mil nesta ação. "Fizemos um crédito e vamos pagar com a arrecadação que conseguirmos aqui, com a venda de algumas lembranças religiosas e comidas típicas."

Lucena faz uma crítica ao atual modelo da festa junina da cidade, que tornou-se, segundo ele, um acontecimento social e regional, quando na verdade sua raiz é religiosa. "Eu entendo que tem que haver sustentabilidade do evento, mas acho que é preciso manter a originalidade. Num lugar onde se encontra pizza, hambúrguer e até yakisoba, não dá para dizer que é preservada sua identidade", analisa.

A falta de uma fogueira verdadeira na festa (a que existe é artificial) também desagrada o religioso. "Muita gente não sabe, mas a fogueira simboliza o nascimento de São João, santo que dá nome a esta grande festa."

Para atrair a atenção do público, a comunidade católica distribui folhetos com a história dos santos e dos festejos juninos em literatura de cordel, e coloca músicos de "forró-gospel" na porta da "Casa de São João", na tentativa de despertar o interesse principalmente dos jovens.

"A nossa proposta é audaciosa, pois chamar a atenção num espaço tão grande e sedutor como este não é tarefa fácil. Mas consideramos que ela é de fácil acepção para o público", completa Lucena.

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