Um espaço de 500 metros quadrados dentro dos intermináveis 44 mil metros do Parque do Povo, coração do "maior São João do mundo" em Campina Grande (PB), tem o objetivo de resgatar a religiosidade da festa e a história dos santos juninos São Pedro, Santo Antônio e São João.
"O local é pequeno e modesto, mas a intenção é divina", explica Gustavo Lucena, coordenador do espaço e missionário da comunidade católica Pio X. Na área, que foi dividida em salas e tem imagens e motivos religiosos espalhados, voluntários explicam aos interessados a história dos santos e da doutrina católica que gerou a festa junina.
O número de visitantes chegou a 15 mil até o último dia 20, número pequeno se comparado à multidão de duas milhões de pessoas que passam pela festa no mês inteiro.
Mas Lucena não desanima. "Não tínhamos expectativa porque a iniciativa foi pioneira. Nunca houve na história do 'São João' campinense um espaço organizado desta forma e com este propósito. Estamos plantando uma semente, e é preciso ter paciência", explica.
"Diferentemente do resto da festa, aqui não vendemos bebidas alcóolicas. É um espaço voltado para a família. A adesão é fruto da necessidade, já que muita gente tem receio de trazer a família no Parque do Povo em dias muito lotados, devido à aglomeração", conta Lucena.
Segundo o coordenador do espaço, foram gastos R$ 15 mil nesta ação. "Fizemos um crédito e vamos pagar com a arrecadação que conseguirmos aqui, com a venda de algumas lembranças religiosas e comidas típicas."
Lucena faz uma crítica ao atual modelo da festa junina da cidade, que tornou-se, segundo ele, um acontecimento social e regional, quando na verdade sua raiz é religiosa. "Eu entendo que tem que haver sustentabilidade do evento, mas acho que é preciso manter a originalidade. Num lugar onde se encontra pizza, hambúrguer e até yakisoba, não dá para dizer que é preservada sua identidade", analisa.
A falta de uma fogueira verdadeira na festa (a que existe é artificial) também desagrada o religioso. "Muita gente não sabe, mas a fogueira simboliza o nascimento de São João, santo que dá nome a esta grande festa."
Para atrair a atenção do público, a comunidade católica distribui folhetos com a história dos santos e dos festejos juninos em literatura de cordel, e coloca músicos de "forró-gospel" na porta da "Casa de São João", na tentativa de despertar o interesse principalmente dos jovens.
"A nossa proposta é audaciosa, pois chamar a atenção num espaço tão grande e sedutor como este não é tarefa fácil. Mas consideramos que ela é de fácil acepção para o público", completa Lucena.