UOL Notícias Cotidiano
 

24/06/2008 - 12h49

Na terra do "maior São João do mundo", festa paralela mantém tradição

Ana Luisa Bartholomeu
Enviada especial do UOL
Em Campina Grande (PB)
A cerca de 5 km do "maior São João do mundo", comida típica em vez de pizza, pastel e hambúrguer; trio pé de serra em vez de forró comercial; amigos e vizinhos em vez de turistas. Para encontrar tradição e regionalismo nesta época do ano em Campina Grande, o destino mais adequado fica distante do indicado pelas placas decorativas que superlotam o centro da cidade.
  • Flávio Florido/UOL

    No bairro Santo Antônio a festa acontece na rua é a patrocinadora oficial é a padaria


A fumaça e o cheiro de queimado na noite do dia 23 denunciavam que ali, no bairro Santo Antônio, zona oeste de Campina Grande (PB), era local de festa junina em homenagem a outro santo: o São João.

O trio de forró ganhou a participação de uma guitarra e um baixo, e o som, meio engasgado, saía de cima da boléia do caminhão direto para a pista de dança improvisada no meio da rua, entre a decoração feita pelos próprios moradores com bambus, folhagem e bandeirinhas coloridas.

No menu da noite, bolo de macaxeira, derivados do milho em geral, canjica, pamonha e outras comidas típicas doadas pelo patrocinador oficial do evento: a padaria da esquina.

"Há oito anos realizamos essa festa junina. É tudo de graça. Aqui, da prefeitura, só tem a iluminação", explica Tatiane Moura, 31, dona do estabelecimento que promove o arraial do bairro junto a mais 20 parceiros. "São os fornecedores da padaria. Cada um doa o que quiser. A gente agradece, é claro", explicando o porquê do telão ao lado do caminhão de som que exibe propagandas e logotipos.

A festa de Tatiane e do marido, José Jacome de Moura, 46, já virou um acontecimento social naquela região da cidade. "Reunimos umas 200 pessoas. É o evento mais esperado do ano por aqui, e só morador da nossa comunidade participa", conta a organizadora.

Tem gente que até desmarca compromissos só para curtir o arrasta-pé da padaria, como a professora Eurídece Lima, 56, moradora da casa ao lado do estabelecimento. Ela deixou de ir a um evento da escola só para participar da festa junina. "Acendi a fogueira por volta das 18h e só vou entrar quando ela apagar." Já passavam das 22h, e o fogo continuava por lá.

Na garagem da casa da professora, outras 12 pessoas saboreavam 'delícia de macaxeira', uma espécie de purê com carne de sol. "É uma forma de passar os festejos juninos com quem a gente gosta, longe daquela aglomeração do Parque do Povo", compara Eurídece.

"Aqui não tem violência, só vizinhos e amigos. Além disso, por ser perto de casa, fica todo mundo mais à vontade. Dançam, brincam, bebem, mas de forma saudável", explica Elias Júnior, 24, estudante de agronomia que ajuda na organização do arraial do bairro Santo Antônio.

Uma viatura com apenas dois policiais fazia o patrulhamento da área durante a festa, e segundo o cabo Josenildo, da Polícia Militar de Campina Grande, a noite no local, mesmo com o evento, é bem mais tranqüila que em outros pontos da cidade. "Aqui o nosso trabalho é bem mais sossegado do que lá no complexo junino, por exemplo", explica, referindo-se aos mais de 40 mil metros que concentram as atrações do "maior São João do mundo".

Escondida atrás de uma caixa de som, Fátima Lopes, 50, observava atentamente os passos animados de dois casais que rodopiavam na pista de dança. "Não gosto de dançar, mas gosto de ouvir o som da banda, que é aqui do bairro mesmo. Quer coisa melhor?", questiona.

A resposta veio do meio da pista, onde Ana Damásio, 45, e Klébia Santos, 48, improvisavam um par na falta de cavalheiros dispostos a dançar. "Abaixo esse forró para turista ver. A nossa mundiça (bagunça) aqui é muito melhor."

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host