Alessandra Amorim e Paulo Roberto Soares, pais de João Roberto Amorim Soares, divulgaram neste sábado (12) uma carta na qual dizem acreditar que "a justiça será feita", além de agradecer o apoio que têm recebido. Eles criticam a atuação dos PMs e afirmam que a ação que resultou na morte do menino mostrou "a fragilidade do preparo das instituições que deveriam nos proteger e assegurar nossos direitos individuais".
João Roberto, que completaria quatro anos no próximo dia 29, morreu quando o carro em que estava com a mãe e o irmão de nove meses foi confundido com o de criminosos e alvejado com mais de quinze tiros por policiais militares na zona norte do Rio de Janeiro.
Neste sábado, centenas de pessoas participaram de uma missa em homenagem ao menino na capela da Catedral Metropolitana, no centro. Parentes da família afirmam que Alessandra e Paulo Roberto pensam em passar um tempo fora do Rio de Janeiro.
Leia a carta na íntegra:
Vivenciamos no último domingo mais um lamentável acontecimento que infelizmente parece fazer parte do nosso cotidiano.
Diferentemente de outras vezes, agora aconteceu na nossa família, com o prematuro falecimento de nosso amado filho João Roberto, de apenas três anos.
João Roberto foi vítima de mais uma grave violência ocorrida na cidade do Rio de Janeiro, durante uma operação policial, sem o direito primordial de defesa, nos revelando de forma gritante, entre outras deficiências, a fragilidade do preparo das instituições que deveriam nos proteger e assegurar nossos direitos individuais.
Choramos o ocorrido e sofremos de forma que só pode ser descrita por quem passou por um momento como este, da perda de um ente muito amado de uma forma absurda, como foi a que ocorreu conosco.
Embora estejamos ainda sob efeito devastador da recente fatalidade que afligiu a nossa família, não podemos deixar de agradecer às demonstrações de carinho que têm chegado a nós
Agradecemos aos familiares, amigos, a população em geral, pelo respaldo emocional que está contribuindo em muito para amenizar nosso sofrimento decorrente da partida do nosso João Roberto, e a toda a imprensa que tem atuado de maneira eficaz e firme, na divulgação dos fatos.
Acreditamos em Deus e que a Justiça será feita.