O senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que foi o relator da CPI do Apagão Aéreo, encerrada em outubro do ano passado, não descarta o risco de um novo "apagão" no setor. Segundo ele, apenas os problemas mais urgentes foram solucionados, mas as questões estruturais seguem problemáticas.
"O gargalo que fica é o estrutural e, por causa disso, vamos ter uma pane que não vai dar para segurar", afirma. "A crise dos controladores de vôo, por exemplo, está resolvida por enquanto, porque está mascarada. Também há um grave problema de infra-estrutura. Precisamos de novos aeroportos e precisamos ampliar os já existentes, mas a corrupção na Infraero impediu que as obras continuassem", critica.
O relatório apresentado por Torres pedia o indiciamento de 23 pessoas por fraudes cometidas na Infraero, a estatal que administra os aeroportos. No encerramento dos trabalhos, os governistas aprovaram um relatório paralelo, do senador João Pedro (PT-AM) que retirava o nome de algumas autoridades citadas no relatório da oposição, dentre as quais ex-dirigentes da Infraero, e acrescentava outros, como o da ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu.
"Meu voto em separado era porque o voto do senador Demóstenes era muito no sentido de punir e eu achei que não tínhamos elementos para condenar. Defendi que o Ministério da Defesa, a Justiça Federal e a Anac fizessem uma auditoria rigorosa em todas as empresas aéreas. A maioria dos pedidos de indiciamento ainda está em andamento", diz João Pedro.
Os dois senadores concordam, no entanto, que o acidente da TAM forçou uma mudança no comando do Ministério da Defesa que foi benéfica para a aviação civil. "Pior que o Waldir Pires era impossível. O (Nelson) Jobim concentrou os trabalhos. Se deu certo ou errado, ele ao menos está fazendo", avaliou Torres.
"Depois de um final de 2006 e um 2007 críticos, mudou o ministro da Defesa, que chegou adotando uma série de medidas para o setor", elogiou o petista.
O senador amazonense vê melhoras na área de transporte aéreo. "Melhorou consideravelmente e a CPI ajudou muito nisso. Foram feitas muitas reformas e vários investimentos, e houve uma capacitação dos operadores de vôo. Demos sugestões para que a Anac tomasse providências em relação ao cumprimento dos horários pelas empresas, para evitar atraso nas decolagens; batemos muito nisso e acabou sendo implementado", exemplifica.
Apesar de considerar alguns pontos "insolúveis", como o desejo manifestado pelos controladores de vôo de mudarem o modelo de gestão de militar para civil, Torres também aponta avanços no setor. "As linhas estão melhor distribuídas e os hubs (aeroportos com movimento mais intenso) estão menos congestionados", comemora. "E recentemente eu falei com o ministro Jobim e ele que o Tribunal de Contas vai analisar todos os problemas com as obras em aeroportos de uma só vez, para poder retomar os trabalhos", completa.