UOL Notícias Cotidiano
 

27/08/2008 - 06h00

Soldados da Força Nacional não chegam a incomodar, mas ninguém sabe ao certo o que eles fazem em Pacaraima

Carolina Juliano
Enviada especial do UOL
Em Pacaraima (Roraima)
  • Arte/UOL
    Há pelo menos quatro meses que os moradores de Pacaraima convivem com um sem número de soldados da Força de Segurança Nacional (FSN), que foram enviados para a região pelo Ministério da Justiça a fim de garantir a paz no local depois que índios e não-índios entraram em confrontos diante da determinação do governo para a desocupação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol.

    Muitos destes homens ocupam, desde então, um anexo do Hotel Pacaraima que estava fechado para reformas. É comum vê-los à vontade. Jogando conversa fora, disputando um banco que há diante do hotel. "Ninguém sabe o que estão fazendo aqui exatamente. Estão sempre ali", diz o taxista Eudo de Alencar. "Chega a dar raiva na gente porque o governo paga essa gente para defender interesses dos índios, contra os arrozeiros, e mesmo assim eles não fazem nada aqui."

    Ninguém sabe ao certo quantos homens da FSN há no Estado de Roraima. Por questões de segurança, os comandantes não comentam isso, muito menos se mostram simpáticos a perguntas de jornalistas. Sabe-se apenas que no dia 4 de agosto, o governo federal determinou a permanência destes homens na região por mais 90 dias.





    A extensão da atuação da FSN foi uma determinação do Ministério da Justiça e a confirmação foi publicada na edição do dia 4 do Diário Oficial da União. Nesta quarta-feira, o que se espera é que esses policiais reforcem a segurança no distrito de Surumu, principal entrada da reserva Raposa/Serra do Sol, que foi palco de conflito armado entre índios e não-índios em maio passado.

    A convivência entre os moradores de Pacaraima e soldados da FSN aparentemente é pacífica. No Hotel Pacaraima eles já são íntimos dos funcionários, sentam-se ali para ver televisão nas horas vagas e batem papo com os hóspedes. A verdade é que esses soldados armados e vestidos com fardas especiais para atuarem em regiões de conflito já parecem fazer parte da paisagem local.

    Vez ou outra, é possível vê-los rondando em sua picape pelas ruas esburacadas de Pacaraima. "Não fazem nada, no máximo chamam a atenção de um ou outro bêbado", diz um vendedor que prefere não se identificar. "Mas eles mesmos é que nos dão problema às vezes. Esses meninos são recém-formados porque só esses coitados é que aceitam ser mandados pra Roraima", diz. "Muitas vezes eles abusam do poder e acabam arranjando confusão. O melhor é que isso tudo acabe e que eles saiam daqui."

    A portaria publicada no Diário Oficial da União prevê, no entanto, a permanência da Força de Segurança Nacional em Roraima por um período de 90 dias contados a partir do dia 22 de julho. Prevê ainda que este período seja prolongado novamente, caso o Ministério da Justiça julgue necessária a sua permanência.

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