UOL Notícias Cotidiano
 

03/09/2008 - 06h00

Brasileiros são os que mais casam com portugueses entre imigrantes em Portugal

Fernando Moura
Especial para o UOL
Em Lisboa (Portugal)
Dos 2.959 casamentos realizados em Portugal em 2005 dos quais se incluía um imigrante, em 57,4% dos casos o cônjuge feminino era de origem brasileira. Também entre os cônjuges masculinos é de assinalar a importância dos brasileiros, com um peso inferior, mas ainda assim correspondendo a 21,6% dos casamentos, anunciou o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) de Portugal.

Os números demonstram, segundo o governo português, que tem aumentado os casamentos na busca da nacionalidade portuguesa por parte das brasileiras, já que das mulheres envolvidas nestes casamentos cerca de 75% tem nacionalidade estrangeira, situação distinta à dos cônjuges masculinos, onde a maioria tem nacionalidade portuguesa (64,2%).

Os brasileiros e os casamentos em Portugal

  • 57,4% das mulheres imigrantes que casaram no país eram brasileiras
  • 21,6% dos homens imigrantes que casaram no país eram brasileiros
  • 87,4% dos portugueses com esposas estrangeiras casaram com brasileiras
  • Em 2005, apenas 52 de 638 homens brasileiros casaram com brasileiras
  • 107,8% foi o crescimento no número de casamentos com estrangeiros em Portugal
INE de Portugal, 2008.
Segundo o relatório do INE, publicado na Revista de Estudos Demográficos de 2008, "os homens brasileiros, tal como as suas conterrâneas, casam mais com portuguesas". O relatório diz ainda que "os portugueses envolvidos em casamentos com cônjuges destas naturalidades, preferencialmente unem-se a brasileiros (87,4% no caso dos homens e 71,3% no caso das mulheres)."

Por isto, o estudo explica que "os brasileiros e brasileiras casam essencialmente fora do grupo, com portugueses e portuguesas" e se constituem como as comunidades mais exogâmicas, junto às de origem ucraniana. Pelo contrário, "as mulheres africanas são as mais endogâmicas, ou seja, as que mais casam dentro do seu grupo de origem."

Os dados para os casamentos ocorridos entre 2001 e 2005, fornecidos pelas estatísticas oficiais nacionais, indicam que os casamentos nos quais pelo menos um dos cônjuges nasceu fora de Portugal aumentou 107,8% naquele período de tempo, passando de 2.063 para 4.287, respectivamente.

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O aumento dos casamentos de brasileiros com portugueses significa, como dizem as autoridades, maior busca pela cidadania européia?

Segundo os dados citados no trabalho realizado por Ana Cristina Ferreira e Madalena Ramos intitulado "Padrões de Casamento entre os Imigrantes em Portugal", é possível afirmar que 1.697 mulheres brasileiras casaram em Portugal em 2005, das quais 1.520 o fizeram com um cidadão de origem português e 177 com cidadãos estrangeiros. Destas mulheres, o 59,3% (1007) viviam no Brasil antes do casamento e 40,7% (690) no estrangeiro.

O estudo publicado pelo INE afirma que no caso dos casamentos das ucranianas e brasileiras é realizado em sua "quase totalidade" com cônjuges de nacionalidade estrangeira (respectivamente 99,3% e 98,0%). "Se efetivamente o casamento for uma ponte para a obtenção da nacionalidade, será entre estes grupos que existirão maiores níveis de exogamia", diz o documento.

Neste aspecto, quando o estudo analisou os imigrantes homens brasileiros que casaram em Portugal no ano de 2005, concluiu que estes casaram predominante com mulheres "de nacionalidade estrangeira, com valores particularmente elevados no caso dos ucranianos (a totalidade) e dos brasileiros (91,8%)". Ou seja, dos 638 homens que casaram naquele ano, 586 o fizeram com mulheres estrangeiras e só 52 o fizeram com mulheres brasileiras.

Celebração e formas dos casamentos
Quanto à forma de celebração dos casamentos, o relatório afirma que "a situação é bastante semelhante entre as várias naturalidades, predominando sempre em larga escala a celebração civil". Entre os imigrantes do sexo masculino, no entanto, a situação se inverte e eles se casam mais pela igreja católica do que as mulheres. A maioria destes casamentos foi celebrado no regime de separação de bens.

Vale destacar aqui que as mulheres brasileiras viveram mais em comum antes do casamento do que os homens. Destes brasileiros (mulheres e homens), a "grande maioria não tinha anteriormente ao casamento filhos em comum com o parceiro respectivo (91,5% para as mulheres e 88,6% para os homens)."

Idade, níveis de emprego e de educação
Para as investigadoras portuguesas são poucos os casais em que os dois cônjuges pertencem à mesma faixa etária. Tal como para os casamentos entre os portugueses, "verifica-se que entre os imigrantes a tendência é para o homem ser mais velho que a mulher, existindo, todavia, uma forte associação entre as idades dos dois cônjuges."

Nas mulheres imigrantes a idade média ao casamento situa-se entre os 28,7 e os 33,7 anos. "Das nascidas fora do nosso país, destacam-se as brasileiras, com idade média mais baixa - cerca de 30 anos e meio."

No que se refere aos homens, a idade média ao casamento é um pouco mais elevada, variando entre os 29 e os 36 anos e meio. Também aqui são os brasileiros os mais jovens (29 anos) seguidos de perto pelos ucranianos, os quais apresentam uma idade média de 32,3 anos.

Trabalho
O relatório afirma que as mulheres que se casaram em Portugal em 2005 e que nasceram no exterior são, em geral, "trabalhadoras por conta de outrem (valores entre os 51% no caso das brasileiras e os 64,9% para as caboverdianas)". No que diz respeito à profissão, as angolanas se destacam na categoria serviços e vendedoras (33,1%) ou são trabalhadoras não qualificadas (24,8%), as brasileiras estão essencialmente no primeiro grupo (serviços e vendedoras - 45,1%).

No que diz respeito aos homens, a situação é diversa já que a maior parte são trabalhadores por conta de outrem (91,5%). Neste aspecto, os brasileiros são em 27,1% empregados de serviços e/ou vendedores.

Nível de estudo
Entre as mulheres brasileiras 45,2% possui estudo secundário completo; e 18,6% têm o nível superior. Neste aspecto as brasileiras só são superadas pelas ucranianas, que são mais de 80% com o ensino secundário ou superior (40,9%).

No estudo se observa que ao nível de "homogamia educacional", a maioria das mulheres se casa com um parceiro com habilitações idênticas (valores entre os 47,4% para as ucranianas e 59,7% para as cabo-verdianas). No entanto, mais uma vez se regista a diferença entre as mulheres brasileiras e ucranianas relativamente às restantes. É nestes dois grupos de mulheres que se registam as percentagens mais elevadas de mulheres com habilitações superiores aos homens (36,7% no caso das brasileiras e 47,4% no caso das ucranianas).

O estudo do INE afirma nas suas conclusões que a existência de padrões distintos de casamentos entre os imigrantes tem a ver, fundamentalmente, com "a naturalidade e a nacionalidade, mais do que a idade ou as habilitações" e que "nos grupos analisados ficou clara a existência de diferenças marcadas entre os originários das comunidades imigrantes mais antigas (Angola, Cabo-Verde e Guiné-Bissau) e os imigrantes correspondentes a fluxos de imigração mais recentes (Brasil e Ucrânia)."

Segundo o relatório, estes dados são consequência do aumento do número de imigrantes a viver em Portugal. De fato na última década o número de estrangeiros residentes em Portugal aumentou em 137%, passando de 172.912 em 1996 para 409.185 em 2006.

Número recorde de brasileiros
O relatório anual do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) publicado em julho passado ao qual o UOL teve acesso e já noticiou, registra a presença de 66.354 brasileiros em Portugal, o que representa 15,2% do total de 435.736 estrangeiros residentes no país.

Dentro deste contexto, o SEF afirma que pela primeira vez, o Brasil "surge como a comunidade estrangeira mais numerosa, resultado do crescimento sustentado desta comunidade verificado ao longo dos últimos anos" com o 15% da população emigrante residente no país, seguido pelo Cabo Verde (15%), Angola (8%) e Guiné-Bissau (5%).

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