Os trabalhadores brancos tiveram um rendimento médio mensal quase duas vezes maior que o dos negros e pardos em 2007, segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais divulgada nesta quarta-feira (24) pelo IBGE, com base em levantamento da PNAD 2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
Os negros e pardos receberam em média 1,8 salários mínimos. Já os brancos tiveram um rendimento de 3,4 salários mínimos. Entre os trabalhadores com mais de 12 anos de estudo, a diferença também é grande. Enquanto os brancos ganham, em média, R$ 15,90 por hora, os negros e pardos recebem R$ 11,40, quando trabalham o mesmo período.
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A quantidade de negros e pardos no grupo dos 10% mais pobres e entre o 1% mais rico explicita ainda mais as diferenças raciais no Brasil. Somente 12% de negros e pardos estão entre o 1% mais rico, enquanto os brancos formam 86,3% do grupo. Já entre os 10% mais pobres figuram 73,9% de negros e pardos contra 25,5% de brancos.
Segundo o IBGE, "os grupos raciais subalternizados (...) padecem de uma precária inserção social ao longo dos 120 anos. Esta precária inserção social não é explicada pelo ponto de partida, mas pelas oportunidades diferenciadas a eles oferecidas".
Quase metade da população brasileira (49,4%) é branca. Os pardos formam 42,3%, os negros, 7,4%, e os indígenas ou "amarelos", segundo o IBGE, apenas 0,8%. A região com a maior proporção de pardos é a Norte, com 68,3%. Já a população do Nordeste é composta por 8,5% de negros, a maior proporção. No Sul, 78,7% dos habitantes é branco.
Educação superiorEm dez anos, a diferença entre brancos e negros ou pardos com diploma de ensino superior subiu 2 pontos percentuais. Em 1997, 9,6% dos brancos tinham ensino superior completo, enquanto 2,2% dos negros e pardos possuíam a mesma qualificação. Ano passado, 13,4% dos brancos e 4% dos negros e pardos apresentavam diploma.
Em 2007, os estudantes negros e pardos entre 18 e 25 anos tiveram uma taxa de freqüência no nível superior mais baixa que a dos jovens brancos em 1997. A diferença maior ocorre entre os estudantes de 21 anos.
Há dez anos, os 12,2% da população branca dessa faixa etária freqüentava um curso superior, enquanto apenas 2,6% dos negros e pardos estudavam em uma faculdade. Em 2007, essa taxa subiu apenas para 8,4% entre negros e pardos e para 24,2 entre os brancos.
No ano passado, 57,9% dos estudantes brancos entre 18 e 24 anos freqüentavam um curso superior. Entretanto, apenas 25,4% de alunos negros da mesma faixa etária estudavam no mesmo nível.
Em 2007, dos pouco mais de 14 milhões de analfabetos no Brasil, quase 9 milhões eram negros ou pardos. A taxa de analfabetismo entre os brancos maiores de 15 anos foi de 6,1%. Já entre negros e pardos da mesma faixa etária superou 14%.