UOL Notícias Cotidiano
 

22/10/2008 - 16h16

Vingança é o principal motivo de assassinatos em São Paulo, diz polícia

Gabriela Sylos*
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Segundo um levantamento do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), vinculado à Polícia Civil, a maior parte dos homicídios dolosos (com intenção de matar) na cidade de São Paulo acontece por vingança. Baseados em 327 inquéritos de assassinatos apurados entre 2006 e 2007, o DHPP desenvolveu o "perfil do crime". Os dados fazem parte do livro "DHPP - Polícia Civil do Estado de São Paulo - Brasil - Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa - 2008", lançado na última terça-feira (21).

A vingança motivou 21,4% dos casos de homicídios dolosos, enquanto o motivo "fútil" foi a causa de 20,2% das ocorrências. Os crimes passionais foram 9,2% do total e as desavenças em bar motivaram 8,9% deles. As drogas foram apontadas como causa de 6,7% dos crimes. Outros motivos somaram 14,7% e causas ignoradas são 9,2%. Os outros 9,7% não foram especificados pela polícia.

Homicídios no Estado podem perder nível de "epidemia"

São Paulo está próximo de fechar o ano com índice de homicídios dolosos abaixo de 10 casos por 100 mil habitantes, índice que coloca o Estado, pela primeira vez em mais de uma década, fora da faixa considerada "epidêmica" pela OMS


Mais de 70% das vítimas conheciam os autores do homicídio o que, segundo a polícia, explica o fato de 32,7% dos casos terem acontecido a menos de 500 metros da residência das pessoas que morreram. Em 59,3% dos casos as vias públicas foram o cenário das mortes.

Em relação aos locais com maior incidência de homicídios na capital, a região da 6ª seccional (Santo Amaro, zona sul) está no topo da lista com 39% deles. Logo depois, vem a 4ª seccional (Norte), com 18% dos casos, seguido pela 7ªseccional (Itaquera, zona leste) com 13%, e a 8ª seccional (São Mateus, zona leste), com 12% dos casos. As outras seccionais somam 10% dos inquéritos.

Na maioria dos casos analisados (87%) apenas uma pessoa morreu. Os crimes acontecem mais durante os sábados e domingos, principalmente entre as 18h e 23h59 (36%), seguido pelo período da madrugada (31%).

As vítimas são predominantemente homens (85%), com idade principalmente entre 18 e 25 anos (33,6%), solteiros (57,4%), brancos (52%) e com o ensino fundamental concluído (46,7%). Ainda levando em consideração os casos analisados, 28% possuíam antecedentes criminais, 16% já havia cumprido pena, 3,1% tinham passagem pela Fundação Casa (ex-Febem) e 1,3% possuía mandado de prisão. Cerca de 15% foram identificadas como usuárias de drogas.

Sobre os crimes cuja autoria foi esclarecida, o DHPP afirma que a grande maioria dos indiciados são homens (96,3%), entre 18 e 25 anos (40,8%), de cor parda (49,2%), solteiros (58,7%) e com o ensino fundamental concluído (51%). Destes, 55% possuíam antecedentes criminais, 26,8% cumpriram pena, 9,3% passaram pela Fundação Casa, 8,9% possuíam mandado de prisão em aberto, 15,1% eram usuários de drogas.
  • Reprodução

    Taxa de homicídio por 100 mil habitantes na capital paulista

    Fonte: Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo


    Menos crimes com armas de fogo
    Ainda segundo o DHPP, entre 2006 e 2007, as armas de fogo foram usadas em 66% dos homicídios analisados, índice menor do que o registrado em 2003, com 89%. Por outro lado, aumentou significativamente o uso de armas brancas e outros objetos (pedaços de pau, pedras e cordas): enquanto as primeiras tiveram aumento de 7% para 17% no mesmo perído, as demais cresceram de 4% para 17%.

    Esse declínio pode ser explicado pelo Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826), que tornou as regras de comercialização e porte de armas mais rigorosas a partir de 2003. Para a diretora-executiva do Ilanud (Instituto Latino-Americano das Nações Unidas para Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente), Paula Miraglia, o desarmamento foi fundamental. "Com a proibição do porte, muda tudo. A arma potencializava o desfecho trágico do conflito do cotidiano", afirma.

    Homicídios diminuem
    A cidade de São Paulo apresenta uma constante queda no número de homicídios dolosos. Em 2006, ocorreram 1.985 mortes e, em 2007, foram 1.538, ou uma média mensal de 128 casos. No primeiro semestre de 2007, foram 777 homicídios e, no mesmo período de 2008, foram 630 casos.

    Segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública, o número de homicídios dolosos na cidade está em queda desde 1999. Naquela época, eram 52,58 mortes por 100 mil habitantes, já em 2007, eram 14,2 por 100 mil - um número quase quatro vezes menor.

    Entretanto, a Organização Mundial da Saúde considera que locais que tenham acima de 10 homicídios por 100 mil habitantes sofrem de uma "epidemia de violência". Mas no Estado de São Paulo, os registros estão se aproximando do nível ideal, conforme foi divulgado no começo do mês durante o lançamento do anuário do Fórum Brasileiro da Segurança Pública.

    Paula Miraglia enumera algumas políticas que explicam a queda no número de homicídios. "A lei seca em determinados municípios, o desarmamento, a política de segurança do Estado, um melhor esclarecimento dos homicídios, e também a atuação das associações comunitárias", afirma. "Mas o padrão da vitimização segue o mesmo. A desigualdade ainda existe entre a periferia e o centro", ressalta Miraglia.

    * Colaborou Guilherme Balza, da Redação

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