UOL Notícias Cotidiano
 

19/11/2008 - 21h05

Indiciamento de dez por acidente da TAM frustra associação de familiares

Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo
O presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Acidente da TAM, Dário Scott, mostrou-se insatisfeito com o indiciamento de dez pessoas pela Polícia Civil nesta quarta-feira (19) pelo acidente com o Airbus A320 da TAM. A tragédia foi a maior da aviação brasileira e matou 199 pessoas em 17 de julho de 2007.

Fotos do acidente

  • Leonardo Wen - 17.jul.2007/Folha Imagem

    Bombeiros tentam apagar fogo após queda do avião da TAM,
    em julho de 2007


"Apenas duas pessoas da TAM foram indiciadas. Existe uma responsabilização maior da companhia aérea no acidente. Muitos pilotos já tinham reportado riscos e mesmo assim a companhia liberou o pouso", afirma Scott. O presidente da associção, que mora na região metropolitana de Porto Alegre (RS) - de onde o vôo 3054 partiu em direção ao aeroporto de Congonhas - diz que houve "muita irresponsabilidade" da companhia na manutenção dos aviões, no treinamento dos pilotos e na avaliação das condições do aeroporto de Congonhas. No acidente, Scott perdeu uma filha de 14 anos.

O inquério da polícia indiciou dois funcionários da TAM, três da Infraero e cinco da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Os funcionários da companhia aérea são o diretor de segurança de vôo, Marco Aurélio Castro, e o ex-gerente de engenharia de operações, Abdel Salam Rishk. Também foram indiciados o ex-presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, o ex-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a ex-diretora da Anac, Denise Abreu. Todos responderão por atentado contra a segurança do transporte aéreo e podem pegar até seis anos de prisão.

A Polícia Civil apresentou como causa do acidente um fator principal e outros contribuintes. O principal foi a posição do manete (alavanca que controla a potência dos motores) direito, em aceleração, ao contrário do esquerdo. Os fatores contribuintes dizem respeito ao não cumprimento de regras de segurança de vôo. Entre eles a falta de medição do coeficiente de atrito da pista após precipitação de chuva e as reuniões realizadas pela Anac que já apontavam a possibilidade dos aviões vararem a pista de Congonhas se restrições não fossem adotadas.

Vídeo registra momento do pouso

  • Imagens permitem comparar pouso realizado com sucesso com o do vôo 3054


"O inquérito só comprova o que nós já falávamos: o acidente poderia ter sido evitado", diz Scott. "Esperamos que outros culpados sejam apontados na investigação comandada pela Polícia Federal", afirma o representante da associação. Como o espaço aéreo é de competência da União, o inquérito vai para a Justiça Estadual e depois os autos serão encaminhados à Justiça Federal. Os processos das polícias serão então unificados.

Scott ressaltou que os familiares ainda não tiveram acesso ao laudo do Instituto de Criminalística e ao parecer final da polícia. Isso deve acontecer no próximo sábado (22) quando a associação encontrará a equipe que comandou a investigação, incluindo o delegado do 15º DP, Antonio Carlos Menezes, e o procurador-geral de Justiça, Rodrigo de Grandis.

O presidente da associação, entretanto, elogiou a duração de 16 meses da investigação da Polícia Civil. Em coletiva realizada hoje, o delegado Barbosa confirmou que o tempo de apuração dos fatos foi recorde, citando que casos de acidentes aéreos nos EUA, por exemplo, demoram até dois anos para serem concluídos.

Outro lado
Procurada pelo UOL, a assessoria de imprensa da Infraero não comentou o indiciamento de seus funcionários pois afirma que ainda não foi comunicada sobre o inquérito nem teve acesso ao laudo.

A companhia aérea TAM disse que aguarda o final das outras investigações sobre o caso para se manifestar publicamente. Outro inquérito está sendo preparado pela Polícia Federal e a Aeronáutica também investiga as causas do acidente.

A Anac afirma que não foi notificada oficialmente sobre os indiciamentos de seus funcionários e também não se pronunciou.

A defesa da ex-diretora da Anac, Denise Abreu, afirmou em nota que "não há qualquer nexo ou ligação possível de causa e efeito entre o trágico acidente e a atuação de Denise Abreu no colegiado de cinco diretores que dirigia a Anac, sob o comando do presidente Milton Zuanazzi". Os outros indiciados não foram localizados para comentar o caso.

Compartilhe:

    Trânsito

    Cotações

    Hospedagem: UOL Host