O presidente da Funarte (Fundação Nacional das Artes), Sérgio Mamberti, acredita que o sistema de venda antecipada da meia-entrada é limitador e pode não funcionar. Ele falou sobre o assunto em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (21) sobre a questão da meia-entrada, no Ministério da Cultura, em Brasília.
"Acho que essa idéia terá uma dificuldade de aceitação por parte dos estudantes. Com a venda antecipada, você não pode tomar uma decisão de última hora (de ir para um espetáculo)", avaliou.
O Senado Federal analisa um projeto que prevê a criação de um documento único de identidade estudantil, de validade nacional, e estabelece cota de 40% do total de ingressos para o público estudantil e pessoas com mais de 60 anos.
Na última reunião para discutir a proposta, os produtores culturais apresentaram mais uma sugestão: que os ingressos mais baratos só pudessem ser vendidos até 72 horas antes do início do evento.
Para Mamberti, que também é ator, apenas para alguns eventos a regra funcionaria. "Para ir a espetáculos de grande bilheteria, você tem mesmo que se programar com antecedência. Mas, para outros, não. Talvez fosse necessário um meio-termo, com a regra valendo apenas para espetáculos de grande procura, ou dias em que o público vai mais aos espetáculos", sugeriu.
Sobre o limite de 40% dos ingressos para estudantes e maiores de 60 anos, ele tem a mesma opinião: a regra valerá, na prática, apenas para grandes eventos culturais. "Em espetáculos menores, o próprio produtor vai ter interesse em acolher a meia-entrada além da cota determinada, para garantir um público maior", afirmou.