Em 2007, embora tenham sido realizados 916.006 casamentos no Brasil, o número de dissoluções (soma dos divórcios diretos e separações) chegou a 232.134, ou seja, para cada quatro casamentos foi registrada uma dissolução. O número é impulsionado pelo divórcio, que atingiu em 2007 - exatamente 30 anos depois de instituído - sua maior taxa desde 1984 (ano em que o IBGE começou a registrar a série). Os dados são retirados da publicação "Estatísticas do Registro Civil", divulgada hoje pelo IBGE.
Taxa de divórcio cresce
200% em 23 anos no País
Em contrapartida, o número de casamentos realizados no País vem crescendo desde 2003.
Em 1984, a taxa de divórcio era 0,46 por mil habitantes (um total de 30.847). Já em 2007, o índice mais que triplicou, atingindo 1,49 por mil (179.342). Em números absolutos, houve quase seis vezes mais divórcios, mas, proporcionalmente ao crescimento da população, dá para dizer que a taxa mais que triplicou.
A taxa de separações judiciais, por sua vez, mantém uma oscilação baixa, sendo que o maior valor foi obtido em 1999 (0,95) e o menor em 2004 (0,82). Em 2007, a taxa ficou em 0,86 casamentos por mil habitantes.
Mais casamentosA taxa de casamentos, que diminuía sistematicamente de 1999 a 2002 (quando atingiu 5,7 por mil habitantes), voltou a crescer e, em 2007, atingiu o mesmo índice registrado há oito anos - 6,7 por mil habitantes. Cláudio Crespo,
Análise da Pnad 2006: Homens divorciados se casam mais que mulheres na mesma condição
De 1997 para 2006, o número de casamentos entre homens divorciados e mulheres solteiras foi o que mais cresceu entre os registros civis.
gerente de estatísticas vitais do IBGE, atribui esse aumento à renovação do código civil em 2002 e a incentivos a formalização através de casamentos coletivos e comunitários.
Os dados do IBGE ainda mostram que, apesar de casamentos entre solteira e solteiro ainda representarem a maioria dos casos, este tipo de arranjo está em constante declínio: se, em 1997, 90,1% dos casamentos era desse tipo, dez anos depois, o índice passou a 83,9%. "A tendência é que os arranjos sejam cada vez mais diversificados", afirma Crespo.
O tipo de casamento quem vem ganhando mais espaço é o de homens divorciados com mulheres solteiras, que saltou de 4,4% em 1997 para 7,1% em 2007. Bem menos expressivo, mas também crescente, é o volume de mulheres divorciadas que casaram com homens solteiros, que passou, no mesmo período, de 1,9% para 3,7% dos casamentos registrados - um número baixo que o IBGE associa ao grande número de mulheres divorciadas que possuem a guarda dos filhos menores - 89,1% dos casos. Entre divorciados a taxa também cresceu de 1,1%, em 1997, para 2,5% em 2007.