UOL Notícias Cotidiano
 

11/02/2009 - 09h20

Assaltos a turistas mudam a rotina na costa dos Corais, em Alagoas

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió (AL)
Os constantes assaltos no complexo de rodovias que ligam os municípios da região Norte de Alagoas alteraram o perfil do turismo em um dos locais mais bonitos e visitados do Nordeste: a costa dos Corais. Por medida de segurança, o turista que agora desembarca à noite no aeroporto Zumbi dos Palmares, em Maceió, é "convidado" a dormir em um hotel na cidade, ao invés de seguir viagem no mesmo dia, como acontecia até o mês passado. A medida faz parte de um conjunto de ações propostas pelo setor turístico para evitar ataques de criminosos na região. Turistas brasileiros e estrangeiros já foram vítimas de assaltos.
  • Divulgação

    A rodovia AL-101 é uma das que sofrem com a onda de violência

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    Corais são uma das atrações da região afetada

  • Arte


Quando há fretamentos que são obrigados a seguir viagem à noite, a opção é utilizar a tática de comboios e ainda contratar escolta armada particular. Já os passeios nas piscinas naturais de Maragogi, cidade próxima à divisa com Pernambuco, também estão terminando mais cedo para os turistas hospedados em Maceió. A viagem de volta tem que ser feita ainda com luz solar.

Mesmo com o reforço policial já anunciado, os hoteleiros e empresas de transporte negociam com as operadoras de turismo uma mudança de porta de entrada dos turistas que seguem para Maragogi. A ideia é que os pacotes sejam vendidos com chegadas em Recife (PE), para driblar o risco de o turista ser abordado por bandidos.

Casos de violência
A decisão de mexer na rotina da rota turística vem como resposta ao crescimento no número de assaltos em quatro rodovias que ligam os principais destinos do litoral norte. São elas: AL-101, 105, 430 e 465. Em janeiro, pelo menos 14 assaltos foram registrados nessas rodovias, sendo dois deles contra veículos de empresas de transporte de turistas.

No primeiro caso, no final de janeiro, um veículo chegou a se acidentar quando foi abordado por criminosos na AL-465, no município de Porto Calvo. A ação aconteceu por volta das 4h, e o carro levava 12 turistas argentinos e paulistas de Maceió até Maragogi. Mesmo feridos com o acidente, os passageiros tiveram dinheiro e todos os pertences roubados.

Poucos dias depois, foi a vez de assaltantes abordarem outro veículo de operadora de turismo, na AL-105, no município de Matriz do Camaragibe. Desta vez, apenas o motorista estava no veículo, abordado durante viagem ao aeroporto Zumbi dos Palmares para buscar turistas para um hotel de Maragogi. O assalto aconteceu por volta das 20h30, e, segundo o motorista Péricles Rodrigues, os bandidos buscavam "pelos gringos". "Eles já entraram perguntando onde estavam os gringos", relatou.

Dotado da melhor infraestrutura hoteleira da costa dos Corais, a cidade de Maragogi, a 130 km de Maceió, é a que mais sente o reflexo da violência. Pelo menos três grandes resorts, além das dezenas de pequenos hotéis e pousadas, estão localizados na região, que tem nas piscinas naturais um dos passeios que mais atrai turistas no litoral nordestino.

Segundo o diretor da Tropicana Turismo e do Hotel Salinas, Glênio Cedrim, os assaltos fizeram os empresários buscarem novas alternativas. Eles tentam mudar a rota de chegada dos turistas para a capital pernambucana, ao invés de Maceió, justamente para fugir dos assaltos e aproveitar a maior malha aérea de Recife. "Maceió tem uma malha aérea ainda restrita, onde quatro voos importantes chegam à noite. Então, estamos contatando as operadoras para que esses turistas venham por Pernambuco, já que temos em Recife uma maior quantidade de voos diurnos. Por ser próximo à divisa, essa viagem não se torna mais longa", afirma.

Cedrim, que é ex-presidente da ABIH em Alagoas (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira), admite a necessidade da contratação de escolta armada e a suspensão de viagens noturnas para preservar a segurança dos turistas que vêm a Maragogi. "O turista que chega tem que vir ciente que terá segurança. Mas essa escolta a turistas não existe só em Alagoas, já que a violência não é só um problema nosso. Ceará, Bahia e Rio de Janeiro também adotam essa tática", diz o diretor.

Polícia reforça segurança
Desde o início de fevereiro, a Polícia Militar de Alagoas reforçou a segurança das rodovias do litoral norte. O comandante do 6º Batalhão, tenente-coronel Claudevan Albuquerque, admite que os assaltos a operadoras de turismo são recentes nas rodovias da região, assim como cresceu o número de ocorrências em geral nas rodovias. Ele garante que todo o efetivo está sendo disponibilizado para tentar oferecer segurança aos que circulam em rodovias, principalmente durante a noite. "No horário da noite temos, no mínimo, três viaturas circulando pela região. No horário de pico, todas as nossas viaturas dos municípios que compõem a circunscrição do batalhão estão sendo utilizadas nessa finalidade", afirma.

Segundo ele, durante o dia, a segurança também foi reforçada com blitze. "Fazemos abordagens em locais e dias variados, já que o problema da rodovia não são só os assaltos a turistas, mas também aos veículos de transporte alternativo de passageiros e veículos leves que circulam pela região", informa o comandante.

Albuquerque ressalta que a polícia investiga a possibilidade de existir uma quadrilha especializada nesse tipo de assalto na região norte. "Estamos investigando tudo, inclusive se existem pessoas dentro da própria polícia passando informações, já que sabemos que em toda profissão existem os bons e maus profissionais. Nada está sendo descartado", afirmou o tenente-coronel.

Para o superintendente da Polícia Rodoviária Federal em Alagoas, Gibson Magalhães, a viagem do aeroporto Zumbi dos Palmares até os locais turísticos durante a noite nunca é aconselhada. "Você tem uma visão mais curta, restrita àquela distância que o farol do carro ilumina. Então, como você não tem essa noção total, os bandidos se aproveitam", explica.

Magalhães ressalta ainda que as rodovias alagoanas, em sua grande maioria, são cortadas por canaviais, o que também ajuda a ação dos bandidos e dificulta a ronda policial. "Com esses canaviais, o bandido pode se esconder a hora que passamos com nossa viatura e esperar escondido a passagem de um ônibus", afirma.

No caso das BRs, a preocupação maior é com os ônibus de linhas. Dezenas já foram sequestrados, nos últimos dois anos, sempre com os passageiros levados a canaviais. Por conta disso, empresas evitam trafegar pelas BRs alagoanas durante a noite. Linhas já foram canceladas por conta das abordagens. "Já fizemos a solicitação ao departamento federal de um helicóptero para ajudar na atuação da Polícia Rodoviária. Ele é fundamental para nossas ações aqui no Estado", ressalta o superintendente.

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