O Relatório Global sobre Drogas 2009, divulgado nesta quarta-feira (24) pela ONU (Organização das Nações Unidas), destaca o aumento no número de comprimidos de ecstasy apreendidos no Brasil. Citando dados de 2007, o documento aponta que mais de 210 mil comprimidos foram apreendidos. Com isso, o país entrou para a lista das 22 nações com as maiores apreensões de substâncias do grupo do ecstasy - é o único país sul-americano no ranking. Os dados de 2005 indicavam cerca de 50 mil apreensões.
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O escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), responsável pelo levantamento, avalia que o consumo das chamadas drogas sintéticas tem aumentado, "principalmente entre jovens das áreas urbanas" da América Latina, região onde a situação é tida como "preocupante" para a ONU.
No caso brasileiro, o documento destaca a
operação deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro deste ano, que prendeu 55 integrantes de uma rede internacional de tráfico de drogas sintéticas. Ressalta que os membros da quadrilha eram, em sua maioria,
jovens de classe média, que levavam cocaína da América do Sul para a Europa e de lá traziam ecstasy para vender no Brasil.
"O aumento nas apreensões pode estar relacionado à produção doméstica de ecstasy, considerando que o primeiro laboratório clandestino foi descoberto no país em 2008", diz a ONU no documento, citando um laboratório clandestino desmantelado no Paraná.
"Isso mostra como o local da produção de ATS pode mudar de acordo com a proximidade de seus usuários. Entretanto, a maior parte do MDMA (ecstasy) consumido no Brasil é considerada originária da Europa", aponta o relatório. ATS é a sigla em inglês para estimulantes do tipo anfetamina.
Inibidores de apetiteO grupo ATS tem duas subdivisões: o de anfetaminas, que engloba diferentes tipos de inibidores de apetite, e o grupo ecstasy. O aumento no consumo de estimulantes do tipo anfetamina, segundo a ONU, tem origem "principalmente em canais lícitos, frequentemente por prescrições irregulares ou por mercado paralelo".
BRASIL EM APREENSÕES DE DROGAS
| Cocaína | 10º lugar |
| Ecstasy | 22º lugar |
Em 2007, o Brasil teve o terceiro maior índice estimado de uso de estimulantes (incluindo remédios para emagrecer) em todo o mundo. Entre 2001 e 2005, o uso de substâncias do grupo anfetamina pela população que vive nas áreas urbanas do país mais do que dobrou, passando de 1,5% para 3,2%.
O grupo de consumidores deste tipo de droga tem uma peculiaridade. No Brasil, o aumento deveu-se principalmente a um "comparativamente alto" uso entre estudantes do ensino médio. O índice brasileiro, de 3,4% entre os anos 2004/2005, fica atrás apenas do da Colômbia, que foi de 3,5%.
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De acordo com o relatório, esta é uma tendência geral. "As taxas de consumo de ATS tendem a ser significativamente maiores entre os jovens em relação à população geral". Na Colômbia, a estimativa de uso entre os jovens estudantes é sete vezes maior do que a da população geral.
O relatório da ONU é feito com base em dados fornecidos pelos governos por meio de questionários enviados ao Unodc no ano passado. Os dados são complementados pelas Nações Unidas.