A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou nesta quarta-feira (24) que serão distribuídos até o final da semana cerca de 500 mil formulários de Declaração de Saúde do Viajante (DSV), em mais uma tentativa de barrar a entrada do vírus da influenza A (H1N1) - a gripe suína - no país.
Segundo o órgão, o monitoramento da chegada das pessoas que vêm do exterior já é feito por meio da DBA (Declaração de Bagagem Acompanhada) apresentada à Receita Federal, mas, a partir de agora, haverá também um acompanhamento especial da Anvisa para identificar possíveis casos suspeitos de contaminação da gripe.
Fila em GuarulhosO acréscimo de mais uma etapa nos trâmites de entrada no país chegou a provocar filas durante os horários de pico no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A Infraero informou que as filas são consequência de um controle mais rígido, que veio de uma recomendação do Ministério da Saúde, e que acontecem apenas em momentos de concentração de voos.
Para evitar que os passageiros se acumulem no posto da Anvisa dentro do aeroporto, a agência começou a distribuir os primeiros formulários às empresas aéreas que fazem rotas do Mercosul, para que as declarações sejam preenchidas ainda dentro do avião.
Segundo a assessoria de imprensa da Anvisa, a prioridade são os voos do Mercosul, que já começaram a adotar o procedimento. Posteriormente, todos as empresas que têm voos para o Brasil deverão fornecer o formulário, assim como acontece com o DBA.
Controle na Rodoviária do TietêA Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo, além disso, estuda a possibilidade de um acompanhamento dos passageiros que desembarcam no terminal rodoviário Tietê, o maior da América Latina, e que mantém linhas internacionais para a Argentina, Paraguai, Uruguai e Chile.
Por enquanto,
nenhum sistema de triagem está sendo realizado no local, segundo a empresa Socicam, que administra o terminal. O movimento mensal de usuários dessas linhas, tanto no embarque quanto no desembarque, alcança quase quatro mil passageiros em 223 ônibus.
Incidência "não é alarmante"O infectologista Marcelo Nascimento Burattini, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirmou que as medidas preventivas contra a contaminação do vírus H1N1 devem ser seguidas, mas avalia que o número de casos "não é alarmante".
"O que diferencia [a gripe suína] da gripe normal é que neste caso o vírus apresentou uma cepa específica que não circulava e que ainda não têm imunidade", disse Burattini.
O problema maior, destacou, é quando ele atinge organismos já debilitados, como é o caso de pessoas transplantadas, idosos ou com alguma enfermidade que deixa o paciente mais suscetível a outra doença.
Como o vírus sempre tem uma propagação maior em períodos de temperaturas mais baixas, quando as pessoas têm uma tendência a ficar mais aglomeradas e em locais fechados, a expectativa é que aumente o número de casos.
Por isso, ele recomenda que se evite situações como essas, além dos cuidados de sempre manter as mãos higienizadas. Se surgirem sintomas como febre, dor de cabeça e dores pelo corpo, disse, a pessoa deve procurado um médico.
* Com informações da Agência Brasil