Após conversar com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio da Alvorada nesta sexta-feira (17), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que o grande desafio do Brasil a partir de agora no combate à gripe suína é "organizar a rede para atender bem as pessoas". Segundo o ministro, a insegurança em relação à doença deve aumentar a procura por atendimento, por isso, pode haver insatisfações.
"É impossível impedir que o vírus circule"
"Se a pessoa está sem febre, só com o nariz escorrendo um pouco, sem tosse, não seria, em princípio, caso para se preocupar. Mas não podemos impor limites sobre o direito das pessoas de serem atendidas. Isso coloca um peso muito grande sobre a rede de serviços e pode acontecer de haver demoras e de as pessoas ficarem insatisfeitas por acharem que deveriam ser melhor atendidas", disse.
Temporão reforçou a recomendação de que a população procure postos e centros de saúde menores, e não os hospitais, para não sobrecarregá-los. "Nesse momento é preciso bom senso e um pouco de paciência", afirmou, acrescentando que a rede de saúde precisa estar preparada para atender "principalmente as pessoas que precisam de internação, tratá-las e impedir o óbito".
O ministro reafirmou que o país passa por um novo momento, em que não há mais como impedir a circulação do vírus, o que significa que as transmissões já ocorrem sem que haja vínculo com outros países. A situação mais aguda no país deve durar até o final do inverno, de acordo com Temporão. "Com o aumento das temperaturas, nossa expectativa é que a situação deva melhorar".
NotificaçõesSobre a decisão da OMS (Organização Mundial de Saúde) de parar de contabilizar os casos individuais, o ministro disse que o Brasil já tinha se antecipado à essa medida, quando decidiu que faria exames de diagnóstico apenas para casos graves, casos de pessoas que estão internadas e surtos em locais fechados.
O ministro afirmou ainda que o presidente Lula não fez nenhuma recomendação específica e que, se for necessário, o país terá mais dinheiro para combater a doença. "Se precisarmos de mais recursos, teremos mais recursos. Nós temos medicamentos e toda a estratégia de trabalho nas fronteiras, portos e aeroportos vai continuar", disse Temporão.