Um levantamento do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo) revelou que metade das vítimas de acidentes de trânsito que chegam ao pronto-socorro da instituição são motoqueiros. Nos últimos três meses, a emergência do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do hospital atendeu 300 vítimas de acidentes, das quais 148 dirigiam moto ou estavam na garupa no momento do acidente.
O levantamento também mostra que 81% das vítimas de acidentes de moto são homens e apenas 19% são mulheres.
Segundo o HC, a recuperação de motoqueiros custa por ano cerca de R$ 100 milhões à instituição. Cada paciente custa em torno de R$ 300 mil ao hospital nos primeiros seis meses de internação. Os gastos cobrem cirurgias, despesas com UTI (Unidade de Tratamento Intensivo), ocupação de enfermaria, medicamentos e outros procedimentos médicos.
Projeções da Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego) mostram que 30% das mortes em acidentes de trânsito no Brasil envolvem condutores ou garupas de motos. O HC afirmou em nota que os motociclistas são o único grupo que cresce nas estatísticas sobre atendimento a vítimas de acidentes. Entre os motoristas e passageiros de outros tipos de veículos, ciclistas e pedestres, houve diminuição ou estabilização dos números.
No quarta-feira (29),
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma lei que regulamenta as profissões de motoboy e mototaxista no país, modificando o Código de Trânsito Brasileiro de 1997. Segundo dados da Fenamoto (Federação dos mototaxistas e motofretistas do Brasil), a nova lei vai regular a atividade de 2 milhões e meio de profissionais no país.