UOL Notícias Cotidiano
 

03/11/2009 - 21h22

Aluna da Uniban desiste de ir à aula, e colegas protestam contra escândalo

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo
Atualizada às 22h11

Depois de alardear na imprensa que voltaria à faculdade nesta terça-feira (3), a estudante Geisy Arruda, 20, que foi hostilizada por seus colegas por vestir um microvestido em sala de aula, desistiu da iniciativa por "motivos pessoais", segundo uma de suas amigas mais próximas. Esperada nesta noite no campus da Universidade Bandeirante (Uniban) de São Bernardo do Campo, a estudante do 1º ano do curso de turismo só apareceu nos discursos e em um protesto diante do portão de entrada da instituição.

No dia 22 de outubro, ela entrou no mesmo lugar com um microvestido e gerou irritação de vários colegas, que começaram a ofendê-la. A Uniban abriu uma sindicância para apurar o episódio, mas até agora não chegou a resultados concretos, segundo seu assessor jurídico, porque Geisy "preferiu até agora dar esclarecimentos à imprensa, mas não compareceu à faculdade para tratar do assunto". Vídeos na internet mostraram dezenas de estudantes gritando palavrões para a jovem, que afirmou que usava a roupa para ir a uma festa depois da aula.

Depois de saberem que a colega não viria, cerca de dez estudantes do curso que ela frequenta promoveram um protesto, vestindo narizes de palhaço. "Precisamos limpar o nome da nossa faculdade. Não quero essa mancha no meu diploma", disse Reginaldo dos Santos Nascimento, 28, do 3º ano de turismo.

"Esse protesto não é contra ela, nem contra a universidade. É contra essa situação, precisamos resolver isso logo. Eu acho que ela quis se promover, sim. Mas só quero mesmo que isso acabe logo e não arranhe a imagem da instituição", completou Nascimento, cercado por dezenas colegas que se preocupavam mais com a direção das câmeras de TV do que com o que o manifestante tinha a dizer.

Segundo a assessoria jurídica da faculdade, nenhum estudante que ofendeu a garota foi identificado até agora. Novos vídeos fornecidos pelos colegas chegaram entre segunda e terça-feira e serão analisados nas próximas horas. A Uniban informou também que na análise feita até agora nenhum funcionário aparece envolvido nos xingamentos.

Alunos divergem
A discussão entre os colegas seguia entre os que não viam problema na postura de Geisy e os que consideraram sua roupa uma ofensa à universidade. A assessoria jurídica da Uniban informou que o teor dos depoimentos colhidos até agora também vão nessa direção: um grupo afirma que a aluna se portou tranquilamente até ouvir as ofensas e outro a acusa de levantar o vestido para provocar os colegas que chamavam por ela. A Uniban não soube informar se tem imagens que mostrem como a garota se comportou nesse período.

Eric Ramos, 23, disse conhecer a aluna e afirma que testemunhou todo o incidente. Ele avalia que Geisy não fez nada demais. "Era intervalo e todo mundo estava do lado de fora. Ela começou a subir por uma rampa e os caras das salas do mesmo andar começaram a mexer com ela. Era 'gostosa, gostosa, gostosa'. Aí ela foi esnobe e eles começaram com o 'puta, puta, puta'", conta ele.

Para a estudante de marketing Nathália Leandro, 23, os colegas podem ter exagerado, mas Geisy foi irresponsável ao vir à faculdade com um modelo tão ousado. "Por baixo da minissaia ela estava com fio dental. Ela veio para causar e o resultado é esse aí. Não tenho dúvida de que ela provocou, ninguém ia reagir desse jeito só por causa de uma roupa", afirmou.

Procurada pela reportagem do UOL Notícias, Geisy não respondeu aos recados deixados em seu telefone celular. A reitoria da Uniban disse que mantém contato com a família da aluna, mas não sabe quando a garota voltará à faculdade.

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