Em nota divulgada à imprensa nesta sexta-feira (6), o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, se retrata da afirmação de que o Estado não é violento e que tem apenas pontos de violência.
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A afirmação foi feita nesta quinta (5) em Brasília. Segundo Beltrame, "[a cidade] tem núcleos de violência. Temos índices de criminalidade, em determinadas áreas, europeus".
Beltrame disse ainda que "as microrregiões onde acontecem eventualmente os confrontos, muitas vezes entre traficantes, não retratam a imagem da cidade como um todo". "Isso acontece pontualmente e em alguns lugares da cidade. É, no mínimo, injusto ou temerário dizer que o Rio de Janeiro é violento."
Segundo a nota, o secretário quis dizer que lá a situação "é diferente, pois o Rio é único Estado com disputa de território por facções, uso de fuzis e ideologia de enfrentamento".
Leia a íntegra da nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado a seguir:
"Por conta da repercussão de sua fala na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, ontem, na Câmara dos Deputados, o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame gostaria de dar novos esclarecimentos.
O secretário fazia considerações gerais sobre as polícias e a criminalidade do Rio de Janeiro. Explicava que, não fosse a presença do narcotráfico armado com arsenal de guerra nos morros cariocas, a situação do Rio seria comparável com a maioria das metrópoles do país e do mundo. O problema do Rio, dizia, é diferente, pois o Rio é único estado com disputa de território por facções, uso de fuzis e ideologia de enfrentamento. A população civil acaba convivendo com situações críticas nestas áreas de conflito. As áreas do Rio que não sofrem com a influência danosa da guerra de facções têm problemas típicos de qualquer cidade grande. Mas mesmo as pessoas que moram nestas áreas distantes dos conflitos também são vítimas do contexto por conta do trauma que tais eventos provocam.
O secretário lamenta que, no ardor do debate, tenha dito que o "Rio não é violento", etc, etc... Há dois anos e onze meses no cargo, o secretário tem a exata dimensão dos problemas que enfrenta. Quem acompanha as ações da Secretaria de Segurança neste período - repressão incessante ao tráfico armado, prisões de milicianos, plano de redução de crimes com metas, UPPs, "a política de enfrentamento" - saberá reconhecer que a última atitude tomada por esta gestão seria a de maquiar ou esconder os problemas da sociedade.
Entretanto, como gestor público e responsável pela política de segurança do Estado, o secretário se vê no direito de defender o Rio de Janeiro de críticas exageradas. Durante a audiência, o secretário queria dizer apenas que o Rio tem problemas sérios sim, que são únicos e críticos e por isso pedia alterações na legislação e um tratamento diferenciado da União. Mas que apesar do quadro, as soluções estão ao nosso alcance e que a realidade é melhor do que aquela que os críticos costumam apresentar.
De qualquer forma, o secretário aproveita a ocasião para se retratar com os moradores do Rio de Janeiro que sempre apoiaram suas ações.
Cordialmente,
Ascom Seseg"