Protesto na Uniban tem vaias, bate-boca e Sabrina Sato "decotada"
Rodrigo Bertolotto Do UOL Notícias Em São Paulo
Atualizada às 20h26
Mesmo depois de revogar a decisão de expulsar a aluna Geisy Arruda, hostilizada por usar um vestido curto no último dia 22, a Uniban continua alvo de protestos. No início da noite desta segunda-feira (9), manifestantes fizeram batucada em frente à universidade, levaram carro de som e acusaram a instituição de autoritarismo.
Os estudantes, porém, repetiram a postura do vídeo que gerou tanta polêmica: vaiaram e xingaram o protesto e perseguiram a apresentadora Sabrina Sato com seus celulares.
"A universidade errou em não ter controlado a situação no dia e continua errando quando decidiu expulsar a garota. Foi uma besteira e tiveram de voltar atrás", afirma Gerson Moraes, aluno de sistemas de informática, destoando dos colegas que preferiam em coros e gritos reforçar o que foi feito com Geisy por ela usar microvestido nos corredores da faculdade particular de São Bernardo do Campo.
Apesar do coro do grupo feminista Marcha Mundial das Mulheres e das faixas em prol da aluna, levantadas por integrantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), de sindicatos, de ONGs e de partidos políticos, havia quem discorde da situação.
"Todo mundo tem culpa nessa história, inclusive a Geisy. Ela ficou desfilando e se exibindo e estava gostando do alvoroço até que tudo saiu do controle", conta Beatriz Carrera, aluna de nutrição da Uniban.
Maria Fernanda Marcelino, militante do grupo feminista, aproveitou o carro de som e denunciou a "mercantilização" do corpo das mulheres. Ao mesmo tempo, a universidade foi acusada de machista e autoritária. O clima foi tenso entre manifestantes e alunos da instituição.
Em meio à gritaria, a apresentadora da RedeTV! Sabrina Sato toma atenção dos estudantes e não recebe xingamentos ao desfilar de roupas decotadas em meio à multidão
Em meio ao ato, os ânimos esquentaram e o estudante de logística Regis Gonçalves agrediu o ativista anarquista Aritanã Dantas. "Esse cara comparou minha mãe a essa menina. Vou acertar a cara dele", grita Regis, exaltado.
Os alunos da Uniban não concordavam com a passeata. Muitos estudantes vaiaram a manifestação e gritaram para os militantes irem embora e calarem a boca. Parte do coro contra o protesto também partiu de funcionários da universidade
Ao som de "a Uniban não quer esse tipo de mulher", grito puxado pelos alunos, a manifestante Maria Onija, do Grupo Pão e Rosas, discursou: "Os agressores estão aí dentro [da universidade]. As mulheres têm que formar uma comissão e puní-los".
Michele Alberdht, uma das alunas contrárias ao movimento, explicou o motivo pelo qual vaiou a manifestação. "Esse pessoal que veio protestar não sabe como era essa menina", diz, referindo-se a Geisy Arruda.
Angélica Fernandes, militante do Diretório Nacional do PT, relembrou o passado de São Bernardo do Campo para se queixar do presente. "Há 30 anos São Bernardo do Campo entrava pro noticiário nacional com a greve contra a ditadura. Agora nosso município volta mostrando que está nas trevas", declarou ao microfone, ainda sob as vaias dos alunos.
"Eu fui a vítima", diz Geisy Arruda
Quando o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Augusto Chagas, subiu ao carro de som para finalmente anunciar a decisão da Uniban de voltar atrás sobre a expulsão de Geisy, foi recebido com mais protestos. "Ele está pegando a Geisy", gritou um estudante. "É natural a polarização. Tem gente que não compreende o debate e acha normal a violência contra a mulher", afirmou o presidente da UNE ao UOL Notícias.
Para os alunos, o clima do retorno de Geisy não deve ser bom. "Ela vai voltar, mas não vai aguentar, o pessoal vai continuar hostilizando", disse o estudante de engenharia mecatrônica Pedro Fantuzzi. "Ele não é vítima. É culpada e reincidente. Toda ação tem uma reação", opinou Carlos Eduardo Silva, colega de classe de Fantuzzi.
Em meio à gritaria, a apresentadora da RedeTV! Sabrina Sato tomou a atenção dos estudantes ao desfilar de roupas decotadas em meio à multidão. Rodeada por dezenas deles, Sabrina foi filmada e chamada de "gostosa" pelos estudantes, que pediam para ela tirar a roupa.
Os alunos da Uniban repetiram nesta segunda diante das câmeras de TV o que fizeram duas semanas atrás para os visores dos celulares: perseguiram uma mulher em um vestido rosa (no caso, Sabrina Sato) e hostilizaram quem pedia tolerância.