UOL Notícias Cotidiano
 

12/11/2009 - 14h02

Problema do apagão está encerrado, diz Lobão

Piero Locatelli
Do UOL Notícias
Em Brasília

Eletrobrás investiu apenas 38% dos recursos previstos em 2009

O Grupo Eletrobrás, composto de 15 entidades responsáveis pelo setor elétrico do país, entre elas Furnas, investiu 38% dos recursos previstos no orçamento de 2009, até agosto. Dos R$ 7,2 bilhões autorizados para o ano - a maior verba prevista desde 2000 -, apenas R$ 2,8 bilhões foram desembolsados. Se continuar no mesmo ritmo, ao final do ano, será o pior percentual de execução


O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou nesta quinta-feira (12) em Brasília que o governo federal encerrou o "problema", ao referir-se ao apagão que atingiu 18 Estados do país a partir da noite de terça-feira (10).
"Buscamos a causa do problema e resolvemos. O problema está encerrado. Cada parte do sistema se empenhou em resolver o problema a tempo", disse o ministro, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Em entrevista coletiva realizada ontem, Lobão culpou as condições meteorológicas pelo apagão. "Todos chegaram à conclusão que foram descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes na região de Itaberá (SP). Houve uma concentração desses fenômenos atmosféricos ali. O que provocou um curto circuito nos 3 circuitos que levam a Itaberá, que vêm de Itaipu", disse. Na ocasião, nenhuma medida emergencial para evitar que o problema se repita ficou estabelecida.
  • Divulgação/Simepar

    Imagem do radar meteorológico Simepar mostra raios (em azul) e chuva em Itaberá (SP) na noite desta terça-feira (10), onde fica uma das linhas de transmissão que teria sido afetada. Para os meteorologistas, no entanto, a chuva não foi atípica.



No encontro de hoje, Lula, Lobão e Minc trataram sobre a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (Pará), cujo leilão está marcado para 21 de dezembro. Quando pronta, a usina de Belo Monte terá uma potência instalada de 11.233 MW e será a maior hidrelétrica unicamente brasileira.

Lobão disse que a reunião para tratar da usina de Belo Monte não tem qualquer relação com o apagão, já que, segundo ele, a construção da hidrelétrica é um projeto antigo.

Consequências do apagão
Cerca de 380 mil pessoas permanecem com problemas de abastecimento de água em consequência do apagão. Na região metropolitana de São Paulo, são 200 mil sem abastecimento, informa a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

No Rio de Janeiro, também há aproximadamente 180 mil pessoas sem água - 2% da população atendida pela Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos).

Na noite de ontem, o problema ainda afetava 2 milhões de paulistanos. São Paulo teve um pico de pane que deixou 6,7 milhões de pessoas sem abastecimento. A região sofreu uma parada geral em suas unidades e também teve que reparar seu maquinário.

Em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, centenas de peixes morreram no rio Paraná, na parte inferior da barragem da Usina Jupiá, localizada na divisa com o Estado de São Paulo. O apagão, que desligou as turbinas, reduziu o nível da água e a quantidade de oxigênio no rio.

Os órgãos envolvidos no apagão têm até segunda-feira (16) para entregar ao Ministério Público Federal (MPF) toda a documentação produzida e recebida sobre o blecaute, que atingiu 18 Estados na noite de terça-feira (10), e até o dia 26 para indicar os responsáveis pelo local da falha inicial. O MPF abriu ontem um procedimento administrativo para apurar as causas e os responsáveis pelo incidente.
  • O governo atibui o apagão ao desligamento de três linhas de transmissão: duas que ligam Ivaiporã (PR) a Itaberá (SP) e uma que liga Itaberá à subestação de Tijuco Preto (SP). Mapa abaixo mostra como funciona o sistema de abastecimento no país

  • Fonte: Sigel e Itaipu Binacional

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